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Cavaco convida portugueses a "terem a audácia" de descobrir potencialidades de Moçambique

Cavaco convida portugueses a "terem a audácia" de descobrir potencialidades de Moçambique

Maputo, 24 Mar (Lusa) - O Presidente da República, Cavaco Silva, manifestou hoje o desejo de ver mais portugueses a "terem a audácia" e "espírito de aventura e risco" de descobrir as "imensas potencialidades" de Moçambique.

© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"Gostaria que os meus compatriotas partilhassem a experiência destes lugares, que aqui viessem em busca da beleza e das imensas potencialidades que Moçambique encerra. Maputo representa, sem dúvida, uma das melhoras portas de acesso a este país de futuro, de oportunidades imensas para os que tiverem a audácia de as descobrir", disse.

Cavaco Silva, que falava numa cerimónia no Conselho Municipal de Maputo, no primeiro dia da sua visita oficial a Moçambique, advertiu, no entanto, que para "conhecer ou prosperar" no país é necessário "audácia e ousadia".

A mesma audácia - disse, referindo-se ao seu próprio passado em Moçambique, enquanto jovem militar recém-casado, no início da década de 1960 - "que há algumas décadas atrás um casal muito jovem viajou pela África Oriental, num automóvel comprado com a ajuda confiante de uma instituição bancária".

De resto, no salão nobre do município de Maputo, onde recebeu do presidente do Conselho Municipal, Eneias Comiche, a chave da cidade, Cavaco Silva passou em revista os anos vividos há mais de 40 anos na capital moçambicana, lugar a que a sua "memória pessoal e familiar se encontra profundamente ligada" - "Maputo ocupa um lugar central na geografia dos meus afectos", enfatizou.

"Em cumprimento do serviço militar obrigatório, permaneci em Moçambique durante dois anos. Quando chegou a notícia da minha mobilização para África, eu e a minha mulher decidimos casar. Onze dias depois, embarcámos no navio infante D.Henrique, com destino a Moçambique. O dinheiro que a minha mulher tinha poupado como professora de liceu permitiu-lhe comprar um bilhete de 1ª classe do navio onde eu, como alferes miliciano, tinha direito a viajar", relatou.

E prosseguiu: "Aportámos a esta cidade em 16 de Novembro de 1963 e aqui passámos dois anos felizes. O nome da nossa filha surgiu da predilecção que a minha mulher e eu tínhamos por esta rua cheia de jacarandás, que descia em direcção ao mar, numa explosão floral que nos deixava extasiados. Chamava-se, então, Rua Princesa Patrícia".

Cavaco Silva descreveu ainda a sua descoberta da África Oriental quando, aos comandos de um "automóvel Renault Dauphine em segunda mão", comprado "por vinte e dois contos com um empréstimo do Montepio Geral", viajou por Moçambique com a mulher.

"Aquele que hoje recebe a chave de Maputo é também o jovem alferes recém-casado que, há muitos anos, teve a ousadia de, com poucos recursos, comprar um automóvel para conhecer uma terra que logo o fascinou", observou.

Em resposta, Eneas Comiche - que foi colega de escola de Cavaco Silva em Portugal - saudou o Chefe de Estado português como "um amigo de rara inteligência e elegância" que "nunca faltou, mesmo nos momentos mais difíceis".

"Trata-se da visita de um grande amigo que, embora longe, sabe construir pontes de amizade", enfatizou.

O presidente do município de Maputo deixou ainda uma professia: "o Presidente Cavaco Silva bebeu da água do Umbeluzi [rio que desagua em Maputo] e quem bebe da água do Umbeluzi sempre cá volta".

PGF.


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