CDU/Porto quer reversão imediata da selagem das lojas no centro comercial Stop
A vereadora da CDU na Câmara do Porto exigiu hoje a reversão imediata da decisão de selagem de mais de 100 lojas no centro comercial Stop e pediu a expropriação do edifício para criar uma casa para os músicos.
Em declarações à Lusa à margem de um encontro com músicos à porta do centro comercial, Ilda Figueiredo criticou a decisão do município "de selagem sem aviso prévio de mais de 100 lojas pondo em causa a vida de cerca de 500 pessoas, na sua esmagadora maioria músicos, na época em que mais trabalho têm e mais transtorno lhes causa".
Enfatizando ser "fundamental esgotar com o Governo as hipóteses de manter o Stop a funcionar com os músicos", a vereadora comunista entende que "no imediato [a autarquia] deve mandar retirar a selagem e manter o espaço a funcionar".
"Se há aí uma discoteca a funcionar ilegalmente feche-se a discoteca, mas mantenham-se os músicos a trabalhar nos seus estúdios e salas de ensaio, porque têm aqui um grande investimento e precisam disto para trabalhar e viver", reiterou Ilda Figueiredo.
Aludindo à proposta levada a reunião de câmara a 07 de novembro de 2022 pela CDU, Ilda Figueiredo lembrou que ela "previa a tomada de posse administrativa pela autarquia ou pelo Ministério da Cultura para garantir a realização de obras mínimas visando melhorar as condições de segurança e de conforto".
Questionada se o Stop é um espaço apetecível para o setor imobiliário, Ilda Figueiredo recordou que este está situado no "centro da cidade" e disse saber "que está aprovado um grande empreendimento para a parte de trás do Stop".
"E claro que sabemos que quem tem esse empreendimento tem muita força económica e, pelos vistos, também política. O futuro nos dirá o que vai acontecer", acrescentou.
Na terça-feira, mais de uma centena de lojas do centro comercial Stop foram seladas pela Polícia Municipal "por falta de licenças de utilização para funcionamento", justificou a Câmara Municipal do Porto.
Centenas de músicos ocuparam durante cerca de cinco horas a Rua do Heroísmo em protesto, obrigando a polícia a desviar o trânsito automóvel para outras artérias da cidade.
Durante a noite, vários músicos continuavam a transportar os seus instrumentos e pertences para fora do espaço, empilhando-os em carrinhas.
Desde terça-feira, a retirada dos instrumentos está dependente de agendamento, adiantou à Lusa fonte policial no local.
Também um aviso da Câmara Municipal do Porto, a que a Lusa teve acesso, indica que "para a retirada de equipamento deverá ser contactada a Polícia Municipal", através do telefone ou correio eletrónico.
Contactado pela Lusa, o comandante da Polícia Municipal do Porto, António Leitão, afirmou hoje que as autoridades estão no centro comercial a acompanhar a retirada do material e que os agendamentos se prolongam até à próxima semana.
Reunidos em plenário, os músicos do Stop decidiram por aclamação convocar uma manifestação para segunda-feira, dia de reunião do executivo municipal, pelas 14:00.
A manifestação irá partir do centro comercial e tem como destino a Câmara Municipal do Porto.
O centro comercial Stop funciona há mais de 20 anos como espaço cultural e diversas frações dos seus pisos são usadas como salas de ensaio ou estúdios por vários artistas.