Celulose do Caima troca papel pelo têxtil e Europa pela China

Lisboa, 29 out (Lusa) -- A fábrica de celulose do Caima, uma das três unidades da Altri, vai trocar a produção da pasta de papel por pasta solúvel usada na indústria têxtil, uma aposta direcionada para o mercado chinês.

Lusa /

O presidente executivo da Altri, Paulo Fernandes, apresentou hoje em Constância, Santarém, o projeto, que implica um investimento de 35 milhões de euros, prevendo estar a produzir o novo produto em meados de 2015.

Por enquanto, a fábrica está em fase de testes para atingir o grau de pureza e requisitos do novo produto.

A reconversão da unidade, por sua vez, não irá afetar o fabrico da pasta de papel até à altura em que começar a nova produção.

O investimento vai beneficiar do apoio do AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), com quem a Altri assinará um contrato no valor de 65 milhões de euros, também direcionado para a otimização da produção na Celdi, no dia 8 de novembro.

A China é o principal destino da nova pasta solúvel, cuja principal aplicação é a viscose, um material usado na indústria têxtil.

"Vamos mudar o enfoque do mercado europeu [o principal destinatário da indústria papeleira] para o mercado chinês", afirmou o administrador da Caima, Dolores Ferreira.

O mercado de pasta solúvel, que encontra também aplicação no fabrico de acetatos para filtros de cigarros, nitratos ou até pele de salsicha está a atualmente a crescer 10% ao ano e os preços são mais altos do que da pasta de papel, "o que significa fazer um produto de maior valor acrescentado", adiantou.

A matéria-prima usada no novo produto é o Eucalipto, a mesma usada na pasta de papel.

Segundo o administrador da Caima, o novo produto será todo para exportação e está "desenhado para a China e Taiwan", tendo já identificadas a empresas que o vão adquirir.

Os 35 milhões de euros servirão para transformar a produção e otimizar a capacidade para produzir 105 mil toneladas/ano de pasta solúvel.

Em termos logísticos, o transporte para o mercado chinês não será um problema, segundo Dolores Ferreira.

"Em termos de localização, estamos muito bem", assinalou, adiantando que a pasta vai seguir para o Entroncamento, a 15 quilómetros (km) e daí será transportada em contentores até Sines e depois para Xangai.

Paulo Fernandes estima que as receitas obtidas com o novo produto representem 15% para o grupo papeleiro.

A Altri, que possui três fábricas de papel com uma capacidade instalada de quase um milhão de toneladas, celebra este ano o seu 125 aniversário.

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