Central sindical pede diálogo para resolver situação na maior indústria moçambicana

Central sindical pede diálogo para resolver situação na maior indústria moçambicana

A OTM-CS, maior central sindical de Moçambique, apelou ao "diálogo" e "bom senso" no processo que ameaça o encerramento da Mozal, a maior indústria do país, com mais de 5.000 postos de trabalho em causa.

Lusa /

Na posição, em documento enviado hoje à Lusa, sobre a situação daquela fundição de alumínio, que ameaça suspender a atividade a partir de março, a Organização dos Trabalhadores de Moçambique - Central Sindical (OTM-CS) "apela ao bom senso, ? responsabilidade" e pede "soluções construtivas que promovam a estabilidade laboral, a continuidade das atividades económicas e a confiança entre as partes envolvidas, em beneficio do interesse nacional".

Em causa está um diferendo sobre as tarifas de energia daquela unidade, uma das maiores em África e que funciona nos arredores de Maputo, com a OTM-CS a recordar que "o processo da suspensão das atividades da Mozal e empresas subsidiárias ameaça cerca de 1.100 empregos diretos e pouco mais de 4.000 indiretos", afetando "severamente o tecido social e a economia nacional".

"Para o efeito, a OTM-CS, afirma o posicionamento de que o direito a um emprego seguro é constitucional e deve ser legal e justo, daí que encoraja que haja um desfecho que se baseie no dialogo, na boa-fé, na legalidade e na justiça social, tomando em conta que nenhum trabalhador deve ser prejudicado ou penalizado por factos que não Ihe sejam imputáveis", lê-se.

A Mozal compra quase metade da energia produzida em Moçambique e tem um peso estimado de pelo menos 3% do produto interno bruto (PIB) e, em 16 de dezembro, a administração da australiana South32, uma das empresas acionistas da fábrica, anunciou a suspensão das atividades a partir de 15 de março de 2026, face à falta de um novo acordo de fornecimento de eletricidade.

Nesta posição, a OTM-CS "roga que na resolução deste conflito" devem ser salvaguardados de "forma clara e efetiva os direitos laborais, a manutenção dos postos de trabalho e a estabilidade económica das empresas subsidiarias, da qual empregam milhares de cidadãos moçambicanos e as duas entidades em conflito", devendo "envolver os sindicatos no processo que corre os seus termos até ao final".

Sublinha igualmente que acompanha com "preocupação o atual conflito entre a Mozal, S.A. e o Governo Moçambicano, ciente de que situações desta natureza geram incertezas, apreensão, desgaste moral/físico e impactos diretos na vida dos trabalhadores, das empresas subsidiarias e das suas famílias".

O Governo moçambicano disse no dia 16 do mesmo mês que há uma equipa a trabalhar para garantir que o futuro da Mozal não prejudique nenhum dos envolvidos, após o anúncio de suspensão de atividades.

Segundo um comunicado da South32, divulgado em dezembro, a Mozal continua a dialogar com o Governo de Moçambique, a Hidroelétrica de Cahora Bassa e a sul-africana Eskom para garantir o fornecimento de "eletricidade suficiente e acessível" até à suspensão em março, altura em que o acordo em vigor expira.

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