CEO do Montepio: "Apoios surgiram de uma forma mais abrangente, mais rapidamente" após tempestades

CEO do Montepio: "Apoios surgiram de uma forma mais abrangente, mais rapidamente" após tempestades

O CEO do Banco Montepio destaca a rapidez com que os apoios financeiros foram colocados à disposição das pessoas e das empresas afetadas pelas tempestades onde foi declarado o estado de calamidade.

Rosário Lira - Antena 1 /

Imagem e edição de vídeo: Pedro Chitas

Em entrevista ao programa Conversa Capital, da Antena 1 e do Jornal de Negócios, Pedro Leitão diz mesmo que, em comparação com o passado, a resposta foi melhor, mais rápida e mais abrangente.

Refere que, para já, a procura por informação sobre os apoios financeiros e as moratórias é bastante, mas que nem toda essa procura ainda se materializou porque particulares e empresas procuram avaliar melhor os estragos para determinar se se justifica pedir o apoio financeiro.
Pelas contas do CEO do Montepio, em termos gerais, cerca de 10 a 15 por cento da carteira de crédito pode estar nas áreas afetadas.
Isto significa que há risco de incumprimento, mas esse risco pode ser mitigado se as medidas de apoio avançarem rapidamente para o terreno e forem bem aplicadas.
Sobre a atribuição de verbas a fundo perdido, Pedro Leitão considera que a existência de mais opções é sempre positiva, desde que os critérios sejam concretos e de fácil compreensão para serem usados de forma complementar.
Sobre a garantia pública à compra de habitação pelos jovens, o CEO do Banco Montepio revela à Antena 1 e ao Jornal de Negócios que a procura tem sido muito grande. O montante inicial atribuído esgotou-se rapidamente. A linha foi reforçada para os 60 milhões de euros e deste montante 2/3 já estão comprometidos, sendo que o ano passado do total de crédito concedido, 41 por cento, foi a jovens e, destes, uma parte significativa com garantia do Estado, um instrumento que, considera, deve continuar.
Ao contrário de outros CEO de bancos, Pedro Leitão não vê necessidade de financiar os créditos à habitação a 100 por cento.
Na semana em que foram apresentados os resultados do banco, acima dos 100 milhões de euros, Pedro Leitão que, já se sabe, vai deixar a presidência executiva do Montepio, prefere não adiantar o valor dos dividendos a atribuir, mas, ainda assim, refere que não serão inferiores aos 30 milhões do ano passado. Pedro Leitão diz que é preciso ter sentido de responsabilidade e critério e lembra que com a sua administração foi possível quebrar um "jejum de 12 anos em que não foi possível distribuir dividendos".
Neste sentido refere ao Conversa Capital que, ao contrário do que acontecia quando chegou ao banco, em 2020, só é possível distribuir dividendos porque os resultados têm vindo a crescer, ascendendo atualmente a mais de 100 milhões. Isso acontece, diz, porque os níveis de capital deixaram de estar no zero, como no passado, permitindo ter uma almofada financeira confortável, porque o malparado de 2 mil milhões de euros foi limpo do balanço e porque, ao contrário do que acontecia há seis anos, o banco, em vez de se financiar com um spread de 10 por cento, hoje vai ao mercado com 1,48. Pedro Leitão diz mesmo que foi o "turn around mais vibrante da história recente da banca em Portugal".
Sobre a sua saída do Banco, não admite ter ficado surpreendido e prefere dizer que se deve olhar para a situação com "normalidade", lembrando que o trabalho que lhe foi pedido de conseguir um banco robusto e sustentável está cumprido, o contributo é inequívoco e o "algodão não engana".
. Entrevista conduzida por Rosário Lira, da Antena 1, e Hugo Neutel, do Jornal de Negócios.
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