Cepsa despede 48 trabalhadores em Portugal, após promessas de manter todos os postos de trabalho
Lisboa, 02 Jul (Lusa) - A Cepsa vai despedir 48 trabalhadores em Portugal, disse hoje à agência Lusa fonte oficial da petrolífera, três meses após a administração da empresa ter garantido que não haveria despedimentos no país após a compra das estações da Total.
"Houve necessidade de se proceder a um ajuste no quadro de pessoal da Cepsa de modo a fazer face aos constrangimentos de mercado, reduzindo-se 48 trabalhadores, num universo de 228", disse fonte oficial da empresa.
A Cepsa Portuguesa promete no entanto "compensar o trabalho e compromisso solidário que os trabalhadores afectados no seu posto de trabalho até à data tiveram para com a empresa", disse a mesma fonte à agência Lusa.
Em declarações à agência Lusa a 30 de Abril, o administrador-delegado da Cepsa em Portugal, Luis Sobral, afastou a hipótese de despedimentos e de encerramento de estações de serviço como resultado da aquisição das operações nacionais da Total, garantindo mesmo que a aposta seria "a de continuar a crescer".
"As 302 estações de serviço vão ter a marca Cepsa/Total e são para manter, com todos os postos de trabalho e pessoas", disse então Luís Sobral.
A CEPSA garante agora que vai oferecer condições superiores às que a legislação actual exige e assegura que prestará apoio e assistência na colocação dos trabalhadores noutras empresas, através de um serviço de `outplacement`.
Fonte do grupo de trabalhadores que a CEPSA vai dispensar à Lusa que, quanto a valores, o que a empresa está a oferecer aos funcionários com quem está a negociar as rescisões dos contratos são "os mínimos legais".
"Na terça-feira chamaram os trabalhadores e numa conversa de cinco minutos disseram-lhes o que lhes ia acontecer, se iam para a rua ou se continuavam na empresa", disse a fonte dos trabalhadores.
Os trabalhadores afectados estão tentar criar uma comissão para salvaguardar os seus interesses.
Dia 30 de Junho foi realizada a fusão jurídica da Total Portugal com a Cepsa Portuguesa, com a consequente incorporação da rede de estações de serviço, dos negócios de lubrificantes e outros derivados de petróleo, pertencentes à petrolífera francesa Total na Cepsa Portuguesa Petróleos, SA.
Segundo a CEPSA a fusão ocorreu porque se verificou ser "possível adoptar uma única estrutura, que permitisse aproveitar as sinergias de desenvolvimento de algumas actividades de forma integrada, bem como optimizar os custos operacionais e os recursos disponíveis, permitindo uma maior racionalização dos meios e dos recursos económicos e, ao mesmo tempo, a criação de uma empresa mais competitiva no mercado português".