Cerca de 200 pessoas concentraram-se em Coimbra contra a crise habitacional
Cerca de duas centenas de pessoas manifestaram-se hoje na Praça 8 de Maio, em Coimbra, para pedir respostas para a crise habitacional, tendo como uma das revindicações "derrotar da lei dos despejos".
Os manifestantes começaram a concentrar-se na Baixa da cidade depois das 15:30, gritando "Eu quero um teto, eu quero um chão, quero o direito à habitação" e "Agora que estamos juntas, agora que nos veem, abaixo a lei das rendas que vai cair, vai cair! E viva a habitação, a resistir, a resistir".
Durante a tarde foi colocada uma tarja num dos edifícios da praça onde se podia ler "Casa para quem habita, terra para quem a trabalha".
"Ordenado mínimo -- renda = Não dá", "Egoístas? Quem diz é quem é", "País em pleno emprego sem direito a aconchego" e "Políticas que assustam" eram algumas das mensagens dos cartazes empunhados pelos participantes.
Rebeca Moore, da organização, explicou à agência Lusa que a luta pela habitação tem tomado "proporções muito grandes" e que é preciso "fazer manifestações muito grandes" e ao fim de semana, para juntar quem não consegue fazê-lo durante a semana, uma vez que luta pela habitação "é transversal à sociedade".
"As pessoas chegam ao final do mês sem salário, em muitos sítios o valor das rendas é maior [do] que o próprio salário médio. É por isso que nós convocamos esta concentração, porque achamos absurdo que existam fundos imobiliários em Portugal a lucrar milhões enquanto a pessoa comum que trabalha, que faz a suas vida, muitas vezes não tem acesso a habitação digna", apontou a representante da plataforma Não Dá Mais do núcleo de Coimbra.
Rebeca Moore manifestou ainda solidariedade com as acampadas, movimentos "muito importantes, porque exatamente ocupam o espaço público de uma maneira consistente", representando a mesma luta.
"É para dizer `nós não aguentamos mais, já não dá mais`. Nós precisamos de soluções, nós precisamos de derrotar esta lei que nós chamamos a lei dos despejos e assim podemos começar a falar sobre melhor habitação", adiantou.
Entre as reivindicações deste protesto, detalhou, estiveram o derrotar a lei dos despejos, colocar teto às rendas, o fim da compra de imóveis pelos fundos imobiliários e o fim aos despejos.
Paula Prada, de 54 anos, disse à Lusa estar no protesto pelas suas filhas, estudantes de 20 e 24 anos, e que vivem ainda consigo, por não terem perspetivas.
"Achamos que temos de estar aqui por elas. Acho que elas merecem isso", afirmou emocionada, considerando que "é uma vergonha o que se está a passar".
Para Paula Prada, é preciso que a sociedade se mobilize mais e que se perceba que "a mudança é obrigatória", não se podendo continuar a fingir que não está acontecer um problema, que, no seu entender, é "gravíssimo".
"E temos um Governo que finge que nada está a acontecer, que acha que a culpa ainda está em quem está necessitado e que nada faz e que nem sequer os quer ouvir", criticou.
Sara Martins, de 30 anos, também marcou presença na manifestação porque, ao longo dos últimos anos, o problema da habitação "tem-se vindo a agravar" e, mesmo a nível internacional, "não dá mais".
"Acho que o povo se está agora a juntar para, de facto, reclamarmos estes direitos que estão consagrados na nossa Constituição de forma a pedir ao Governo que, de facto, os faça cumprir, entre eles a habitação", sustentou à Lusa.
Investigadora na Universidade de Coimbra, Sara Martins admitiu não ter estabilidade financeira para sair de casa dos pais e não ter as "bases que são necessárias para construir um plano de vida a longo prazo".
Além da concentração, está ainda agendada para hoje uma assembleia popular organizada pela plataforma Habitação Coimbra.