CGTP e CIP lançam críticas ao Orçamento do Estado mas divergem quanto aos salários

CGTP e CIP lançam críticas ao Orçamento do Estado mas divergem quanto aos salários

Em debate na RTP Notícias esta terça-feira, o secretário-geral da CGTP e o presidente da CIP estiveram de acordo em relação ao Orçamento do Estado, mas discordaram quanto ao salário mínimo nacional.

Joana Raposo Santos - RTP / Adicionar como fonte informativa
Foto: RTP

O dirigente da intersindical, Tiago Oliveira, começou por afirmar que “o Orçamento do Estado reflete a política de um Governo, a sua ambição, a forma como vê o país”.

“Isto faz-me lembrar aquele ditado que [diz que] o cúmulo da insanidade é fazer a mesma coisa vezes sem conta e esperar resultados diferentes”, afirmou na entrevista à jornalista Maria Nobre.

Na visão do secretário-geral da CGTP, “os portugueses estão fartos da mesma política, do mesmo rumo que não os retira da situação económica em que se encontram”.

“Nós não podemos ter um Orçamento do Estado em que se diz que não há dinheiro para aquilo que é essencial para todos nós e depois avança com um conjunto de medidas em que o próprio Estado abdica dessa receita para responder a problemas concretos”, nomeadamente ao baixar os impostos das empresas, criticou.

Armindo Monteiro, presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), considerou o Orçamento importante “porque vai marcar as preferências económicas da política em 2027”.

“E aqui estou de acordo com o Tiago Oliveira: este Orçamento, para além de ser uma autorização da despesa e para cobrar receitas, não diz muito sobre o que nós ambicionamos sob o ponto de vista económico”, declarou.

O responsável quer saber o que é que o Estado entende como prioridade em 2027, o que “não ficou claro” nas reuniões com o Governo, adiantou.

“Pretendemos atingir o quê a nível de salários? E esses salários estão ligados a que crescimento da economia? E a economia vai crescer de que forma e com que incentivos?”, questionou.

“Temos de traçar um planeamento”, disse Armindo Monteiro, defendendo que os parceiros sociais podem ser “um ponto de convergência em relação a ambições para o país”.

Tiago Oliveira respondeu, porém, que “temos de acabar com esta ideia” de que “temos todos de caminhar no mesmo sentido porque o objetivo é comum a todos”.

“Isto é muito bonito de ser dito, mas depois olhamos para a realidade do dia-a-dia”, que “não é igual perante todos”, vincou.

Sobre a meta de 1.100 euros para o salário mínimo em 2027, Tiago Oliveira garante que “há condições para isso”.

Armindo Monteiro disse, por sua vez, que “em qualquer empresa, os salários são aumentados em função daquilo que as condições do país permitem” e não em função do custo de vida.
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