Chaminés da Central Termoelétrica de Setúbal vão ser demolidas no sábado
Setúbal, 06 mar 2020 (Lusa) -- As duas chaminés da Central Termoelétrica da EDP em Setúbal vão ser demolidas às 12:00 de sábado no âmbito do desmantelamento daquela unidade industrial, que foi encerrada em 2013, anunciou hoje a empresa.
De acordo com a EDP, a operação de demolição, que começou a ser preparada há ano e meio, será efetuada com recurso a cerca de 150/200 quilogramas de explosivos, distribuídos por 400 furos, colocados na base de cada uma das duas chaminés.
Segundo a empresa, serão ainda colocados cerca de 60 quilogramas de explosivos em piscinas colocadas à volta do local da demolição, "de forma a provocar uma cortina de água durante o derrube, que ajudará a minimizar as poeiras e resíduos".
"A empreitada de desmantelamento/demolição em curso foi adjudicada a um consórcio constituído pelas empresas Ambigroup e Ambiservice", revelou fonte oficial da EDP em resposta a perguntas da agência Lusa, adiantando que "para o caso específico do derrube das chaminés, o consórcio recorreu à empresa Maxam, especialista na utilização de explosivos para este tipo de atividades".
"O derrube das chaminés é uma das tarefas dos trabalhos de desmantelamento/demolição iniciados em 2016. A conclusão desta fase está prevista para o final de 2020. Em 2021 realizam-se atividades de requalificação ambiental do terreno da central", esclarece a EDP, adiantando que os trabalhos de desmantelamento/demolição deverão estar concluídos no final deste ano.
A EDP prevê também que os trabalhos de descontaminação dos terrenos estejam concluídos no final de 2021 - embora reconheça que está dependente das avaliações do solo feitas depois do desmantelamento total - de forma a que os terrenos fiquem livres de qualquer risco ou passivo ambiental.
A empresa refere ainda que "grande parte (mais de 90%) dos materiais oriundos do processo de desmantelamento e demolição serão reaproveitados, reutilizados e reciclados, promovendo assim a economia circular".
Sobre o destino a dar aos terrenos da antiga Central Termoelétrica de Setúbal, a EDP diz estar a criar "condições no terreno para viabilizar um espaço que possa receber um projeto sustentável, um projeto que faça parte da transição energética".
Trata-se de uma ideia que parece ir ao encontro dos desejos do presidente da Junta de Freguesia do Sado, Manuel Véstias, que via com bons olhos o aproveitamento dos terrenos da antiga termoelétrica para uma atividade não poluente, como por exemplo a instalação de painéis fotovoltaicos, que teriam a vantagem de reaproveitar as linhas de transporte de energia que serviam a antiga unidade industrial da EDP.
"A população da freguesia do Sado já pagou uma fatura elevada devido à poluição atmosférica e sonora provocada pela central elétrica. Os cerca de 3.000 moradores da localidade de Praias-do-Sado acordavam muitas vezes sobressaltados com o barulho provocado pela abertura das válvulas para libertar a pressão do vapor de água", disse à agência Lusa Manuel Véstias.
Construída no final da década de 70 do século passado, a Central Termoelétrica de Setúbal, localizada na península da Mitrena, esteve mais de 30 anos em funcionamento, desde 1978 a 2013.
Equipada com quatro grupos de geradores, a central de Setúbal foi fundamental para o abastecimento do país, dado que foi o maior centro produtor de energia nacional até à abertura da central (a carvão) em Sines, e chegou a abastecer 25% da população portuguesa em território continental.