Chega espera que PSD não esteja a usar "manobras dilatórias" para se proteger nos casos da banca
O presidente do Chega disse hoje esperar que o PSD não tenha optado por dirigir perguntas o primeiro-ministro sobre uma alegada interferência na banca, em vez de avançar já para um inquérito parlamentar, como "manobra dilatória".
Em declarações aos jornalistas, André Ventura lamentou a opção do PSD - que dirigiu 12 perguntas a António Costa sobre o afastamento de Isabel dos Santos do BIC e sobre a resolução do Banif -, sem afastar totalmente a possibilidade de um inquérito parlamentar no futuro sobre o caso.
"Este é o momento para fazer esta investigação. O que eu espero, e confio, é que o PSD não está a fazer isto para simplesmente proteger alguns dos seus antigos, atuais dirigentes e que a manobra não é meramente dilatória", disse Ventura, no parlamento.
O líder do Chega criticou a opção do PSD por considerar "que atrasa, dificulta e complica" o processo de averiguação da verdade, mas diz "aceitar este caminho diferente" se for para os dois partidos confluírem mais tarde na criação uma comissão de inquérito potestativa (obrigatória, que precisa da assinatura de um mínimo de 46 deputados).
"Não aceitaremos se for uma mera manobra dilatória para dizerem que estão esclarecidos com as respostas do primeiro-ministro e ficar tudo na mesma" avisou.
De qualquer forma, o Chega manterá e levará a votos, quando for agendada, a sua proposta de criação de uma comissão de inquérito eventual para "apurar a eventual ingerência do Primeiro-Ministro na autonomia do Banco de Portugal para proteger a filha do Presidente de Angola".
Nessa votação, diz contar com o voto favorável do PSD, da IL e gostaria também ter o dos partidos da esquerda para demonstrar que o PS "está isolado no impedimento" da investigação.
O grupo parlamentar do PSD dirigiu 12 perguntas ao primeiro-ministro para esclarecer declarações do ex-governador do Banco de Portugal Carlos Costa, quer sobre a resolução do Banif, quer sobre o afastamento da empresária Isabel dos Santos do BIC.
Na Guarda, Luís Montenegro justificou a opção de enviar estas perguntas ao primeiro-ministro dizendo que o seu partido não é "daqueles que propõem comissões de inquérito parlamentar à razão de uma por semana", mas sem excluir totalmente esse instrumento no futuro.
"Nós até podemos vir a ter um inquérito parlamentar sobre esta matéria. Não sei. Mas nós, para já, hoje mesmo, estamos a dirigir ao senhor primeiro-ministro perguntas concretas", afirmou o líder do PSD.