Chevron e ENI assinam acordos para exploração de petróleo na Venezuela
A Venezuela assinou hoje acordos para exploração petrolífera com a norte-americana Chevron e a italiana Eni na presença da presidente Delcy Rodríguez e do secretário da Energia dos EUA, Chris Wright.
Por outro lado, a estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) também assinou hoje uma "aliança estratégica" com outra empresa norte-americana, a General Electric (GE) Vernova, para a recuperação da infraestrutura elétrica da indústria petrolífera venezuelana.
Chris Wright disse que, graças a estes acordos, a produção de petróleo na Venezuela vai aumentar 50% até 2027.
Em entrevista à estação televisiva CNBC, em Caracas, Wright recordou que "disse, desde o princípio, quando o presidente (Donald) Trump aprovou estas medidas, que a produção venezuelana iria aumentar 50% em um prazo entre 12 a 18 meses. Raafirmo-o".
Hoje, continuou, "a produção diária supera os 1,2 milhões de barris por dia. Cremos que na primeira metade do próximo ano superaremos largamente o milhão e meio de barris diários e os dois milhões no final da década".
O secretário de Energía viajou para a capital venezuelana para, entre outras coisas, impulsionar um acordo para que a Chevron explore duas grandes jazidas na Faixa do Orinoco.
A sua deslocação ocorre dias depois de a Casa Blanca anunciar um acordo que permite a uma empresa de capital misto, participada pela North American Blue Energy Partners (NABEP) e pelo governo dos EUA, explorar 20% das reservas provadas venezuelanas durante pelo menos 25 anos.
"Existe a percepção de que os EUA se estão a exceder e a apropriar-se de bens venezuelanos, em violação da Constituição venezuelana. Mas mas não é nada disso. Trata-se de um acordo entre o governo dos EUA e uma empresa venezuelana para ajudar a desenvolver os recursos", disse Wright, perante as críticas ao acordo.
Alguns analistas estão céticos com o cumprimento destes objetivos nos prazos mencionados, dada a deterioração das infraestruturas e as necessidades de investimento.
Também há quem aponte que os EUA estão a privilegiar interesses económico-empresariais ao processo democratizador na Venezuela.
Wright também defendeu a pessoa que dirige a NABEP, o empresário Alejandro Betancourt, investigado em Espanha, Suiça e EUA por alegada lavagem de dinheiro e fraude fiscal em operações relacionadas com a PDVSA.
"Alejandro teve alguns conflitos com o regime anterior na Venezuela, o que fez com que aparecesse nas notícias e isso, mas demonstrou ser um operador muito competente. Além disso, a empresa vai ter a supervisão dos EUA e a garantia de que farão cumprir dos leis e os contratos dos EUA", disse.