Chile anuncia subida histórica dos combustíveis devido à guerra
O Governo do Chile aprovou na segunda-feira uma subida histórica dos preços dos combustíveis e decidiu limitar os apoios ao setor dos transportes, na sequência da escalada do preço do petróleo provocada pela guerra no Golfo Pérsico.
Após a decisão do ministério das Finanças, liderado por José Antonio Kast, o preço da gasolina deverá aumentar cerca de 32% e o do gasóleo 62% a partir de quinta-feira, naquela que é a segunda maior subida da história do país.
"Já o disse antes. Espero que o país compreenda a situação que herdámos, uma situação historicamente frágil", afirmou o ministro da tutela, Jorge Quiroz, que atribuiu a medida à gestão do anterior Governo.
Numa entrevista à CNN Chile, o governante sublinhou que o país enfrenta "uma crise histórica" e um dos maiores choques no mercado global do petróleo.
Quiroz referiu ainda que o Chile atravessa uma situação de forte restrição económica, com níveis elevados de dívida pública, indicando que o Estado deve atualmente mais 40 mil milhões de dólares (mais de 34 mil milhões de euros) do que há quatro anos.
O Executivo anunciou também um conjunto de medidas para mitigar o impacto da subida, centradas no transporte rodoviário, um dos setores mais influentes numa economia dependente do transporte por camião.
Entre as medidas está um subsídio mensal de 100 mil pesos (cerca de 77 euros) para táxis e táxis coletivos, durante até seis meses, sujeito a aprovação parlamentar, bem como uma nova linha de crédito preferencial para renovação de frotas, com incentivo à mobilidade elétrica.
Está ainda prevista a suspensão temporária de benefícios fiscais para empresas não transportadoras, equiparando-as ao regime aplicável ao setor dos transportes, medida que será discutida no parlamento.
O Governo decidiu também congelar as tarifas dos transportes públicos na capital até 31 de dezembro de 2026 e atribuir verbas às regiões para adotarem medidas semelhantes.
No setor energético, as medidas incidem apenas sobre a parafina, cujo preço será reduzido para níveis de fevereiro de 2026 e mantido estável durante o outono e inverno.
O executivo anunciou ainda que irá apresentar um projeto de lei com caráter de urgência para reforçar o Fundo de Estabilização do Preço do Petróleo, passando de cinco para 60 milhões de dólares (51 milhões de euros).
O Governo garantiu que vai trabalhar com os transportadores para reforçar a segurança no transporte de mercadorias, perante receios de eventuais protestos.
Poucos minutos após o anúncio dos aumentos registaram-se longas filas nas estações de serviço em Santiago.
O presidente da Confederação Nacional do Transporte de Carga Terrestre do Chile, Sergio Pérez, alertou que a subida dos combustíveis obriga a rever as tarifas do setor para garantir a continuidade da atividade.
"Precisamos de soluções concretas para que não seja afetada uma atividade fundamental para o funcionamento do país", afirmou.