China acusa Taipé de vender interesses da ilha por acordo comercial com os EUA
Pequim acusou hoje Taipé de `vender` os interesses da ilha após o anúncio de um acordo comercial com Washington, um pacto que Pequim considera um "documento de rendição" e que "esvaziará a base industrial de vanguarda de Taiwan".
O acordo, alcançado na quinta-feira passada após vários meses de negociações, inclui uma redução das tarifas sobre os produtos taiwaneses de 20% para 15%, bem como um compromisso de investimento de 250 mil milhões de dólares (213 mil milhões de euros) das principais empresas de semicondutores da ilha em território norte-americano.
Nos termos do acordo, o Governo de Taipé também se comprometeu a garantir mais 250 mil milhões de dólares em créditos empresariais para facilitar novos investimentos.
Numa conferência de imprensa, o porta-voz do Gabinete de Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado (Executivo chinês), Peng Qing`en, afirmou que os EUA exerceram "pressão máxima" durante as negociações através do "grande bastão" das tarifas "para forçar Taiwan a aumentar significativamente o investimento nos Estados Unidos".
"O chamado `consenso comercial` alcançado entre os Estados Unidos e Taiwan não passa de um `contrato de escravidão` em que forças externas e separatistas conspiram para saquear o dinheiro arduamente ganho pelo povo taiwanês e minar as bases industriais de Taiwan", afirmou o porta-voz.
Segundo Peng, as autoridades do Partido Democrático Progressista (PDP) de Taiwan, no poder, "não só não têm vergonha, como se orgulham" de um acordo que, segundo ele, permitirá aos Estados Unidos "esvaziar" e "espoliar" a indústria de semicondutores taiwanesa.
"Tal incompetência e ignomínia apenas enterrarão completamente as perspetivas de desenvolvimento de Taiwan (...). A vantagem industrial de Taiwan desaparecerá completamente e a `ilha tecnológica` tornar-se-á numa `ilha oca`", sublinhou, acrescentando que o resultado das negociações demonstra que a `independência` de Taiwan "é um beco sem saída".
"Sem o apoio de uma pátria poderosa, Taiwan só pode tornar-se um pedaço de carne gorda aos olhos das forças externas, como um cordeiro em direção ao matadouro", sentenciou o porta-voz.
As autoridades de Pequim consideram a ilha de Taiwan como "parte inalienável" do território chinês e não descartam o uso da força para assumir o seu controlo, uma postura rejeitada pelo Executivo de Taipé, que sustenta que apenas os 23 milhões de taiwaneses têm o direito de decidir o seu futuro político.
Os EUA encontram-se no meio das disputas entre ambas as partes, uma vez que Washington é o principal fornecedor de armas a Taipé e, embora não mantenha relações diplomáticas com a ilha, poderia defendê-la em caso de conflito com Pequim.
Essa postura tem provocado atritos permanentes entre os EUA e a China, cujo Governo definiu a questão de Taiwan como a "linha vermelha" nas relações entre as duas potências.