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China consegue primeira aterragem controlada de foguetão em terra

China consegue primeira aterragem controlada de foguetão em terra

Uma empresa chinesa realizou hoje com sucesso a primeira aterragem controlada de um foguetão em terra, cerca de um mês depois de o país asiático ter alcançado a primeira recuperação sobre uma plataforma marítima.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Guo Cheng - XINHUA via EPA

O foguetão Zhuque-3 Y2 descolou às 07:35 (00:35 em Lisboa), a partir da Zona de Inovação e Testes Aeroespaciais Comerciais de Dongfeng, no deserto de Gobi (noroeste), voando normalmente durante todo o trajeto e com a primeira secção a aterrar num espaço designado dentro da zona de recuperação, informaram os meios de comunicação estatais.

Entretanto, a segunda secção do foguetão conseguiu colocar o satélite Honghu 03 na sua órbita prevista, completando todos os objetivos da missão.

O Zhuque-3 Y2 foi desenvolvido pela LandSpace, uma empresa de Pequim e líder no setor comercial de foguetes da China, e tornou-se no primeiro foguete comercial da China a alcançar a órbita e a ter a primeira fase recuperada.

Segundo a agência de notícias estatal chinesa Xinhua, trata-se de um novo passo nos planos chineses para desenvolver esta tecnologia, considerada chave para reduzir custos, aumentar a frequência de lançamentos e sustentar futuras constelações de satélites.

"Em circunstâncias normais, o custo do combustível de oxigénio líquido e metano representa entre 1% e 3% do custo do lançamento, e o da primeira fase do foguete, cerca de 70% do total. Quanto mais vezes o foguete puder ser reutilizado, menor será o custo de lançamento", assinalou a LandSpace.

Uma primeira tentativa para recuperar o Zhuque-3 Y2, realizada em dezembro, falhou, pois o propulsor explodiu numa bola de fogo sobre o local de aterragem, nos últimos segundos da descida.

A companhia planeará agora acelerar a reutilização do corpo da nave para avançar no sentido de um sistema fechado de "lançamento-recuperação-testes-reutilização" que permita operações comerciais de alta frequência e baixo custo.

Kang Guohua, membro sénior da Sociedade Chinesa de Astronáutica e professor de engenharia aeroespacial na Universidade de Aeronáutica e Astronáutica de Nanjing (leste), afirmou ao jornal estatal Global Times que a China se tornou o segundo país, a seguir aos Estados Unidos, a desenvolver capacidades de recuperação de foguetes de classe orbital.

Atualmente, os EUA lideram o desenvolvimento de foguetes reutilizáveis, com a SpaceX e a Blue Origin a avançar em diferentes tecnologias de recuperação.

O setor aeroespacial chinês, tanto estatal como comercial, tem intensificado nos últimos anos os testes de reutilização de lançadores, um processo marcado por vários ensaios incompletos até que, em julho, a China conseguiu recuperar a primeira fase de um foguete Longa Marcha-10B após um retorno vertical sobre uma plataforma marítima.

As recuperações ocorrem em plena expansão do programa espacial do gigante asiático, com mais lançamentos, novos tipos de foguetões e maior concorrência entre empresas privadas e programas estatais, em paralelo a projetos como a estação espacial Tiangong, o programa lunar Chang`e ou os preparativos para uma missão tripulada à Lua antes de 2030.

À semelhança da Starlink, da empresa norte-americana SpaceX, projetos chineses como o Guowang e o Qianfan preveem colocar, no futuro, mais de 10 mil satélites em órbita para proporcionar uma cobertura global de banda larga, criando tanto um mercado potencial global como uma infraestrutura de importância estratégica militar.

Até ao momento, a rede Starlink já colocou em órbita mais de 10 mil satélites operacionais, com mais de 12 milhões de clientes em todo o mundo.

Em comparação, a constelação Guowang de Pequim e a rede Qianfan, apoiada por Xangai, colocaram apenas cerca de 200 satélites cada uma, numa expansão limitada, em parte, pela falta de um veículo de trabalho reutilizável na China que seja comparável ao foguetão reutilizável Falcon 9, desenvolvido pela SpaceX.

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