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China deve ser mais agressiva para resgatar antiga posição do chá

China deve ser mais agressiva para resgatar antiga posição do chá

A China tem de ser "mais agressiva" na promoção das centenas de variedades de chá que produz para conquistar a antiga proeminência no mercado mundial, referiu hoje o responsável pelo organismo que reúne os grandes produtores mundiais.

Agência LUSA /

"Eu penso que o que falta à China é o marketing, que deveria ser mais agressivo em certos mercados," referiu Manuja Peiris, director do Comité Internacional de Chá (CIC), na abertura da I Expo Internacional de Chá da China, em Pequim.

O responsável pelo organismo mundial dos produtores do chá, com sede em Londres, indica que tem havido mudanças no mercado do consumo mundial que permitem antever que a China tem potencial para restaurar a anterior grande influência no mercado internacional.

Um dos grandes indicadores é o aumento das vendas de chá verde nos mercados ocidentais, tradicionalmente consumidores do chá preto, como os Estados Unidos, sendo a China a principal fornecedora destes novos apreciadores.

"O consumo do chá é um mercado em mudança contínua, porque mesmo apesar do chá verde ser conhecido internacionalmente, só no presente é que as vendas começaram de facto a descolar," assinala Manuja Peiris.

A Europa consumia sobretudo chá verde no século XVII, quando este produto - importado a peso de ouro da China -, se tornou moda entre as elites europeias.

O dispendioso chá verde perdeu importância quando um "espião" inglês conseguiu roubar o segredo do fabrico desta bebida aos chineses, no século XIX, e iniciou nas antigas colónias britânicas grandes produções de chá preto, conquistando o Ocidente.

A China - país "berço" da cultura do chá - domina o mercado internacional ao nível do chá verde, com 74 por cento da produção mundial e 86 por cento das exportações.

Em termos globais ocupa, todavia, o terceiro lugar na tabela dos maiores exportadores, atrás do Sri Lanka e do Quénia, cujo principal tipo de chá que produzem é o preto.

O ressurgimento do consumo do chá verde - cuja imagem está muito associada aos benefícios da saúde - fora da Ásia não significa que o chá preto irá perder apreciadores, indica Peiris.

"Eu penso que há espaço para todos, porque são tipos de chá diferentes," assinala o natural do Sri Lanka.

O gigante asiático, segundo país com maior área de produção de chá, a seguir à Índia, consome dois terços do chá que planta, mas o chá preto cultivado é sobretudo para exportação.

Apesar da China ser identificada como o país do chá, o consumo médio anual per capita dentro é inferior a meio quilo, um valor cinco vezes inferior ao dos grandes consumidores: Irlanda e Inglaterra.

A Expo Internacional de Chá, que encerra domingo na capital chinesa, junta mais de 200 produtores - grande parte chineses - numa mostra sobre o chá e toda a indústria de produtos criada à volta desta bebida milenar.

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