China e Rússia defendem maior coordenação estratégica antes da cimeira da APEC em novembro
Os ministros dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, e da Rússia, Serguei Lavrov, discutiram em Baku a cooperação estratégica bilateral e os preparativos da cimeira do Fórum de Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC), anunciou hoje Pequim.
Durante o encontro na capital do Azerbaijão, realizado na quarta-feira, Wang destacou que as relações entre os dois países mantêm um desenvolvimento de "alto nível", sob a liderança dos presidentes chinês, Xi Jinping, e russo, Vladimir Putin, segundo um comunicado da diplomacia chinesa.
O chefe da diplomacia chinesa recordou que os dois líderes reuniram-se em maio e agosto e manifestou confiança de que a cimeira da APEC, prevista para 18 e 19 de novembro, em Shenzhen, no sudeste da China, produza "resultados frutíferos".
Lavrov reiterou o apoio de Moscovo à organização do encontro e manifestou disponibilidade para reforçar a coordenação com Pequim nas Nações Unidas, no G20, no grupo BRICS e noutras organizações multilaterais.
"A Rússia e a China partilham posições semelhantes sobre os assuntos internacionais", afirmou o ministro russo, citado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.
Os dois responsáveis trocaram ainda opiniões sobre "questões internacionais e regionais de interesse comum, alcançando novos consensos", embora Pequim não tenha especificado os temas abordados nem mencionado a guerra na Ucrânia.
O encontro ocorreu depois de o Kremlin ter confirmado, no início de outubro, que Putin se reunirá com Xi durante a cimeira de Shenzhen, na qual poderá também participar o Presidente norte-americano, Donald Trump.
Moscovo admitiu igualmente a possibilidade de uma reunião trilateral entre os três líderes, mas as autoridades chinesas evitaram confirmar essa hipótese.
A cimeira realiza-se num contexto de incerteza quanto à evolução da guerra na Ucrânia, depois de a Rússia ter lançado um novo ataque contra infraestruturas energéticas ucranianas, apesar de Trump ter anunciado uma trégua neste domínio, que não foi confirmada por nenhuma das partes.
A China mantém uma posição ambígua perante o conflito: defende a soberania de todos os países, mas insiste também na necessidade de respeitar as "legítimas preocupações de segurança" de todas as partes, numa referência à Rússia.
Pequim e Moscovo reforçaram a cooperação política, comercial e militar desde que Xi e Putin proclamaram uma amizade "sem limites", pouco antes da invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.