China insta governo português a ser imparcial

O governo chinês apelou ao seu congénere português para que avalie com “imparcialidade” e “independência” as várias propostas relativas ao processo de privatização da EDP apelo que defende um dos concorrentes, a chinesa “Three Gorges Corporation” (CTG). A nível político, Passos Coelho negou entretanto, no debate mensal no Parlamento, ter visitado uma das empresas concorrentes ao processo de privatização.

RTP /

"O Governo chinês espera que na avaliação das propostas as autoridades portuguesas adiram aos princípios da economia de mercado" e "assegurem que o resultado desta transação comercial não seja influenciada por fatores externos", afirmou esta sexta-feira o porta-voz do ministério chinês do Comércio, Shen Danyang.

Referindo-se à alegada interferência do "governo de um certo país" no processo de privatização da Eletricidade de Portugal, numa aparente alusão ao governo alemão, Shen Danyang esclareceu que o executivo chinês "encoraja" as suas empresas a internacionalizarem-se. Em relação à candidatura da empresa chinesa à privatização da EDP o porta-voz não teve relutância de reconhecer que apoia claramente a candidatura da CTG qualificando-a como "uma atividade comercial".
A polémica de uma alegada visita
O líder do BE confrontou hoje o primeiro-ministro com uma alegada visita sua à E.ON pouco antes do concurso para a privatização da EDP acusando Passos Coelho de "promover a participação" desta empresa alemã neste processo.

"No contexto desta privatização, foi visitar a sede de uma das empresas que agora é concorrente e foi muito pouco tempo antes, com o Financial Times a dizer que o senhor, a mando da senhora Merkel, lá terá ido promover a participação desta empresa no concurso da privatização", afirmou Louçã durante o debate quinzenal com o primeiro-ministro esta sexta-feira na Assembleia da República.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, respondeu ao deputado bloquista negando "qualquer contacto" com empresas concorrentes à privatização da EDP e rejeitando nomeadamente ter visitado a sede da empresa alemã E.ON.

"Não tive, não tenho nem terei – muito menos depois de ter sido espoletado o processo de privatização – qualquer contacto com qualquer das empresas concorrentes à privatização da EDP. É a transparência que o exige", afirmou Passos Coelho.

"Não há nenhuma razão para alimentar qualquer dúvida a este respeito, nunca visitei a sede da E.ON, nem nunca me desloquei à sede da E.ON", acrescentou Passos Coelho.

Passos esclareceu que efetivamente teve aquando da sua visita a Berlim uma reunião com o presidente da E.On que foi pública e a seu pedido.

"Eu recebi-o, de resto, numa audiência pública, que conteve comunicação social, em que o presidente da E.ON me quis manifestar o interesse direto da empresa na privatização da EDP", esclareceu.

O primeiro-ministro deixou uma garantia aos deputados. "A decisão que o Governo vier a tomar, será tomada em Conselho de Ministros, depois de receber o relatório que será feito pelos assessores financeiros que estão como ‘advisers' da operação a fazer a apreciação das propostas e a negociação que deve ser realizada", explicou.


A entrada da CTG no capital da empresa de energia portuguesa contribuirá ainda, de acordo com o governo chinês para "fortalecer a presença global" daquela empresa chinesa e "apoiar o desenvolvimento social e económico" de Portugal, "e servirá também como um alicerce decisivo para a construção de uma relação económica mutuamente vantajosa entre a China e Portugal".

"O governo chinês espera que a seleção da proposta vencedora seja baseada nos princípios da abertura, justiça, imparcialidade, transparência e independência de modo a assegurar que o resultado desta transação comercial não seja influenciado por fatores externos", acrescentou Shen Danyang.

O Presidente da CTG, Cao Guangjing, citado pela agência Lusa afirma-se muito confiante na sua proposta e na escolha final da candidatura vencedora, até porque a fazer fé em notícias que circulam na comunicação social foi a empresa que ofereceu o valor mais elevado (2,7 mil milhões de euros).

"Estou muito confiante. Penso que oferecemos o melhor preço, temos um plano industrial muito bom e também um programa de refinanciamento para o futuro desenvolvimento da EDP", afirmou o homem forte da empresa chinesa.

CEMIG admite que a sua proposta poderá não ter agradado ao governo português
A empresa brasileira CEMIG, a concorrente ao processo de privatização da EDP que ofereceu o valor mais baixo, admitiu esta sexta-feira que a proposta que apresentou pode não ser a melhor para o governo, mas será no seu ponto de vista, a mais favorável para os acionistas da empresa.

"Talvez a CEMIG não tenha a melhor proposta para o governo português e aí é que talvez a gente leve alguma desvantagem", declarou o presidente da CEMIG, Djalma Bastos de Morais, numa entrevista que foi publicada pelo jornal “Valor Económico” na sua edição de hoje.

Djalma Morais considerou ainda nessa entrevista que a outra empresa brasileira que concorre ao processo de privatização da EDP – a Eletrobrás – pode ter enfrentado o mesmo problema.

O presidente da CEMIG comentava a preferência do Conselho Geral e de Supervisão da EDP pelas propostas da alemã E.On e da Chinesa Three Gorges, em detrimento das ofertas das companhias brasileiras.

Djalma Morais não tem dúvidas em afirmar que a sua proposta seria a mais vantajosa para os acionistas da elétrica portuguesa.

A CEMIG não se considera ainda fora da corrida aos 21,35% do capital da EDP, "até porque não tivemos nenhuma notícia oficial de que estamos fora", acrescentou Djalma Morais.

O prazo para entrega das candidaturas para a compra das ações que o Estado português detém na EDP terminou há uma semana e o resultado deverá ser conhecido no próximo dia 22.


 
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