China Mobile e Apple chegam a acordo para vender o iPhone

O iPhone vai entrar em grande na China através da operadora China Mobile, a maior do mundo, com cerca de 760 milhões de clientes - ou seja mais de duas vezes a população dos EUA. Até agora a Apple detinha somente seis por cento da quota do mercado chinês, em concorrência com produtores de telemóveis chineses e com a sua arqui-rival, a sul-coreana Samsung.

Graça Andrade Ramos, RTP /
A maior operadora do mundo, a China Mobile, que tem 760 milhões de subscritores, vai começar a aceitar encomendas de iPhones já a partir de 25 de dezembro, numa conquista de mercado que poderá revelar-se crucial para a Apple. Reuters

O mercado chinês de comunicações é o maior do mundo com 1.2 mil milhões de utilizadores de smartphones.

O acordo com a China Mobile estava a ser preparado há vários meses. De acordo com a Apple, os iPhone 5S e 5C vão estar disponíveis na China a partir de 17 de janeiro de 2014, a preços e fornecimentos ainda por revelar.

A China Mobile começará contudo a receber encomendas já a partir de 25 de dezembro. A empresa foi uma das três que recebeu recentemente de Pequim a licença de comercialização do 4G.

A China Mobile diz que irá disponibilizar a rede em 16 cidades até ao fim de 2013, expandindo para 340 cidades até finais de 2014.

Ao anunciar o acordo, o principal executivo da Apple, Tim Cook, não forneceu detalhes mas sublinhou a importância da China para o futuro da empresa.

"A nossa associação com a China Mobile dá-nos a oportunidade de trazer o iPhone aos clientes da maior rede do mundo" afirmou Cook. Para a Apple, que é a maior vendedora mundial de smartphones e que, com 35 a 40 milhões de utilizadores chineses, já tem na China o seu segundo maior mercado após os Estados Unidos, este acordo vai permitir  abrir uma nova frente na batalha comercial com a Samsung.

Até agora apenas a China Unicom e a China Telecom comercializavam iPhones na China.

A Apple espera que a China se torne rapidamente o seu maior mercado, apesar de recentemente as suas vendas terem caído, com os clientes a serem atraídos pelos smartphones mais baratos da Samsung, Lenovo, Coolpad, Huawei e ZTE.
Problemas de fabrico
O iPhone 5C é uma versão mais barata do smartphone da Apple, que a empresa espera possa fazer frente aos seus rivais na China, a par do 5S.

Espera-se contudo que os defeitos de fabrico detetados logo no início da  comercialização do 5S em outubro de 2013 e que têm colocado problemas de autonomia, estejam já resolvidos.

Por outro lado, a Apple ordenou em novembro à sua fornecedora de equipamentos eletrónicos Foxconn para deixar de fabricar o iPhone 5C para passar a fabricar os 5S, uma ordem não explicada pela empresa. 

Os telemóveis da Apple são na sua maioria fabricados na própria China através da  Foxconn, acusada nos últimos anos de submeter os seus empregados a maus tratos e elevada pressão psicológica.
Horários longos e baixos salários
Já em 2010, a Foxconn tinha obrigado os seus funcionários a assinarem declarações de que não se iriam suicidar nem ferir colegas de trabalho, após uma dezena de empregados se ter suicidado entre janeiro e abril desse ano. A Foxconn ergueu então barreiras em passadiços, para impedir os empregados de saltarem para morte.

Um jovem de 21 anos, empregado da Foxconn referiu na altura ao jornal South China Morning que as condições laborais eram insuportáveis e que ganhava cerca de 200 euros mensais, o equivalente na altura ao preço do "iPhone" com 32GB produzido pela Foxconn.

"O ambiente no local de trabalho é de tanta pressão e deprimente que não somos autorizados a falar com os nossos colegas nas 12 horas de trabalho sob pena dos nossos supervisores nos castigarem", afirmou."Só temos 30 minutos para almoçar e não podemos demorar mais do que 10 minutos na casa de banho" relatava um operário fabricante de iPhones na China.

"Sinto que tenho uma vida vazia e que trabalho como uma máquina" acrescentou.

A Fair Labor Association, uma ONG que promove os direitos laborais, acusou a Foxconn em 2012 de obrigar os seus 35 mil empregados a turnos de 12 horas seguidas, entre mais de 50 infrações à lei, incluindo a de empregar crianças com 14 e 15 ou até 12 anos.

Por exemplo, nas alturas de maior produção, a fábrica Fu Tai Hua Industrial, na cidade de Guanlan, os trabalhadores chegavam a cumprir 70 horas de trabalho semanal.

Perante as denúncias, a Apple e a Foxconn prometeram rever as condições de trabalho no fabrico dos iPhones.
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