China reforça laços energéticos com Qatar e apoia papel de mediação no Médio Oriente
Pequim manifestou hoje disponibilidade para aprofundar a cooperação energética com o Qatar e apoiou o papel de mediação de Doha no Médio Oriente, face aos esforços diplomáticos para reduzir as tensões e garantir a navegação no Estreito de Ormuz.
O primeiro-ministro chinês, Li Qiang, transmitiu estas posições durante uma reunião realizada em Pequim com o homólogo do Qatar e ministro dos Negócios Estrangeiros, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, que efetua uma visita oficial de dois dias à China.
Li afirmou que Pequim pretende aprofundar com Doha a cooperação nas áreas da energia tradicional e renovável, infraestruturas, inteligência artificial (IA) e finanças, assim como promover os investimentos entre os dois países, segundo um comunicado oficial chinês.
No plano diplomático regional, o dirigente chinês afirmou que a China "apoia o Qatar no seu papel de mediação" perante a situação no Médio Oriente e manifestou a disponibilidade de Pequim para trabalhar com Doha, outros países da região e a comunidade internacional para favorecer "o rápido restabelecimento da paz e da tranquilidade" na região.
Mohammed manifestou a vontade do Qatar de aprofundar com a China a cooperação nas áreas do comércio, alta tecnologia e indústria transformadora avançada e defendeu a abertura de uma nova "década dourada" nas relações bilaterais, segundo o comunicado chinês.
Antes da viagem, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Qatar, Majed al-Ansari, adiantou à agência oficial QNA que a visita abordaria os principais desenvolvimentos regionais e os esforços diplomáticos para reduzir as tensões, além da necessidade de garantir a segurança e a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.
A visita coincide com os esforços diplomáticos de Doha para reduzir as tensões entre os Estados Unidos e o Irão e manter aberto o estreito, uma rota estratégica para o abastecimento energético mundial.
O Irão afirmou na segunda-feira que as conversações com Omã sobre um mecanismo temporário destinado a permitir a passagem segura pelo estreito se encontravam na fase final, enquanto Teerão confirmou que uma delegação do Qatar tinha visitado o país no domingo, no âmbito dos esforços de desanuviamento.
A crise afeta particularmente o Qatar, que afirmou na segunda-feira que a guerra provocou uma queda de 90% no fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) proveniente dos países do Golfo e de 77% no fornecimento de petróleo.
O Estreito de Ormuz é também crucial para Pequim, uma vez que cerca de 45% do petróleo e do gás importados pela China atravessavam esta rota marítima em tempos de paz.