China regista segundo maior volume de recompra de ações de sempre
As empresas cotadas nas bolsas chinesas registaram este ano o segundo maior volume de recompra de ações de sempre, numa tentativa de transmitir confiança aos investidores perante a tendência de queda dos mercados acionistas do país.
Segundo dados da plataforma ChinaDataPay, citados hoje pelo jornal económico Securities Times, o valor das recompras concretizadas em 2026 ultrapassou os 150.000 milhões de yuan (20.049 milhões de euros), sobretudo nos setores da alta tecnologia e dos bens de consumo.
O único ano em que foi registado um volume superior foi 2024, quando as recompras atingiram cerca de 166.000 milhões de yuan (22.172 milhões de euros), segundo a série histórica compilada pelo jornal estatal.
A fabricante de eletrodomésticos Midea lidera estas operações, com recompras equivalentes a cerca de 2.000 milhões de dólares (1.784 milhões de euros), seguida por empresas tecnológicas como a CATL, maior fabricante mundial de baterias para veículos elétricos, e a Zhongji Innolight, especializada em transmissores e recetores óticos.
As recompras de ações constituem uma prática habitual das empresas em períodos de correção dos mercados, permitindo utilizar parte da liquidez disponível para sustentar as cotações e reforçar a confiança dos investidores.
Contudo, estas operações nem sempre conseguem travar as quedas.
É o caso da Zhongji Innolight, que investiu quase 750 milhões de dólares (669 milhões de euros) na recompra de ações este ano, a um preço médio de 132 dólares (117 euros) por título, mas cujas ações eram hoje negociadas a cerca de 68 dólares (60 euros).
O volume de recompras poderá ultrapassar ainda este ano o recorde de 2024.
Após o pior mês de outubro em mais de uma década para o índice CSI 300, que acompanha as 300 principais empresas cotadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen, mais de 130 empresas anunciaram planos de recompra de ações num valor conjunto superior a 4.000 milhões de dólares (3.568 milhões de euros).
Entre estas destaca-se a fabricante de semicondutores de memória CXMT, que em julho protagonizou a segunda maior oferta pública inicial de sempre na China continental, no valor de cerca de 9.800 milhões de dólares (8.743 milhões de euros).
A empresa prevê aumentar o orçamento destinado à recompra de ações para cerca de 750 milhões de dólares (669 milhões de euros).
Outras empresas tecnológicas, como a Cambricon e a AMEC, anunciaram igualmente medidas para reforçar a confiança dos investidores, incluindo recompras e um aumento do investimento em investigação e desenvolvimento.
Um dos principais fatores que pressionaram as bolsas chinesas nas últimas semanas foi o receio dos investidores quanto à rentabilidade dos investimentos em inteligência artificial (IA).
O setor impulsionou os mercados nos meses anteriores, com várias empresas tecnológicas a protagonizarem estreias em bolsa marcadas por valorizações superiores a 100%.
O índice CSI 300 acumula uma queda de 14% desde o início do ano, em contraste com a subida de 7,2% do índice norte-americano S&P 500.
Em outubro, o indicador chinês recuou 8,5%, o pior desempenho mensal em mais de dez anos.
Perante a evolução dos mercados, as autoridades chinesas anunciaram várias medidas de apoio às bolsas.
No entanto, analistas consideram improvável uma recuperação sustentada sem soluções para problemas estruturais, nomeadamente a capacidade das empresas chinesas para gerar lucros.