China vai duplicar as importações de petróleo russo

Moscovo, 23 mar (Lusa) -- A China vai duplicar as importações de petróleo russo e apoiar a construção de um gasoduto entre os dois países, ao abrigo de acordos assinados durante a primeira visita externa do novo presidente chinês, Xi Jinping.

Lusa /

"Não viemos aqui para desperdiçar o vosso tempo", disse Xi ao seu homólogo russo, Vladimir Putin, numa cerimónia no Kremlin.

O novo presidente chinês disse a Putin pressentir que as "almas" de ambos estão abertas uma à outra e que os acordos assinados são um "avanço" nas relações bilaterais.

Ao abrigo de um acordo assinado com a petrolífera estatal chinesa, a CNPCA OAO Rosneft vai expandir o fornecimento de petróleo dos atuais 15 milhões de toneladas métricas para próximo de 31 milhões, através de três oleodutos.

A empresa russa ofereceu também à CNPC acesso a recursos petrolíferos no Ártico, em particular três blocos no "off-shore" dos mares de Barents e Pechora, além de 8 zonas "on-shore".

A Rosneft concordou ainda em "otimizar" e potencialmente expandir os trabalhos no campo petrolífero Sakhalin-3, com outra petrolífera chinesa, a Sinopec.

Paralelamente, o China Development Bank vai emprestar 2 mil milhões de dólares à Rosneft, garantidos por 25 anos de exportações petrolíferas.

Outro gigante energético russo, a Gazprom, deverá concluir até final do ano um contrato de fornecimento de gás à China por um período de 30 anos.

Com a CNPC, a Gazprom assinou um acordo para construção, até 2018, de um gasoduto com capacidade para transportar 38 mil milhões de metros cúbicos de gás por ano.

O acordo deverá ser concluído até final do ano, e a China poderá avançar com pagamentos adiantados pelo gás russo.

Xi Jinping elogiou o papel desempenhado por Moscovo e Pequim para assegurar a paz no mundo e classificou as relações russo-chinesas como uma "garantia do equilíbrio estratégico internacional".

O presidente chinês, que escolheu a Rússia como primeiro destino internacional depois de ter assumido o cargo, na semana passada, apelou a que os dois países "reforcem a cooperação estratégica na cena internacional (...) a fim de assegurar a paz e a estabilidade" no mundo.

A Rússia, única grande potência que ainda mantém laços estreitos com a Síria, e a China bloquearam até agora todas as propostas de resolução do Conselho de Segurança da ONU condenando o presidente sírio Bashar al-Assad.

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