China vai impulsionar integração da IA na economia real
A China reafirmou esta quinta-feira a aposta no desenvolvimento da inteligência artificial (IA), ao anunciar que vai promover a integração desta tecnologia em vários setores da economia, segundo o relatório de trabalho apresentado pelo primeiro-ministro ao parlamento chinês.
Durante a apresentação do documento na sessão anual da Assembleia Nacional Popular (ANP), Li Qiang afirmou que o Governo vai incentivar a aplicação da IA na indústria e nos serviços através da iniciativa denominada "IA Plus", destinada a acelerar a utilização desta tecnologia na economia real.
O relatório destaca também o reforço dos mecanismos de financiamento para as chamadas "indústrias do futuro", entre as quais a indústria transformadora avançada, a tecnologia quântica, a biotecnologia e a robótica.
Segundo o documento, o Executivo pretende igualmente promover o desenvolvimento de novos dispositivos inteligentes, equipamentos industriais avançados e plataformas digitais, ao mesmo tempo que impulsiona a transformação digital da indústria transformadora.
O texto sublinha ainda o aumento do investimento em investigação e desenvolvimento, que atingiu 2,8% do produto interno bruto (PIB), bem como o crescimento do volume de transações associadas a contratos tecnológicos.
A ênfase na inteligência artificial surge após o aparecimento, nos últimos meses, de novos modelos chineses, como o DeepSeek, ou de sistemas desenvolvidos por grandes empresas tecnológicas do país, como Alibaba e ByteDance, que ganharam visibilidade internacional e intensificaram a competição tecnológica com os Estados Unidos.
O desenvolvimento do setor ocorre num contexto em que Washington mantém restrições à exportação de semicondutores avançados e de tecnologias associadas ao treino de sistemas de IA.
Perante esse cenário, Pequim tem defendido a necessidade de reforçar a autossuficiência tecnológica, mantendo ao mesmo tempo o quadro regulatório adotado em 2023 que exige que os serviços de inteligência artificial respeitem "os valores socialistas fundamentais" e não produzam conteúdos que possam pôr em risco, segundo a legislação chinesa, a segurança nacional ou a estabilidade social.