Chineses na banca: Haitong quer 30% do Novo Banco, Fosun 30% do BCP

O banco chinês Haitong poderá avançar com uma oferta de capitalização e de aquisição parcial do Novo Banco. Por 30% do capital os chineses admitem pagar tanto quanto os candidatos à privatização do banco terão oferecido pela sua totalidade.
A confirmar-se, José Maria Ricciardi, que preside ao Haitong, poderia voltar à gestão do Novo Banco.
No Jornal 2 Ricardo Arroja coloca em dúvida a operação. "não é normal que apareça fora do processo de privatização uma proposta tão mais alta do que as feitas pelos candidatos oficiais". O analista financeiro diz que é necessário estudar muito bem a notícia, fala numa questão "especulativa", e garante que é necessário conhecer mais detalhes.

Rui Sá, Fátima Araújo /
José Maria Ricciardi quer comprar o Novo Banco, pelo menos uma parte.

O Fundo de Resolução já foi informado. Uma proposta formal deverá acontecer em setembro. Objetivo - controlar 30% da instituição. Estará disposto a pagar 1500 a dois mil milhões de euros para o garantir.

Ricciardi, Banqueiro Europeu do Ano, foi administrador do BES, é agora administrador do Haitong.

O Banco chinês, que em portugal não é mais do que o antigo Banco Espirito Santo Investimento, comprado o ano passado ao Novo Banco, não é candidato à privatização. O plano - entrar no capital através de uma operação negociada de capitalização.

No Jornal 2 Ricardo Arroja é perentório: "não faz qualquer sentido esta intenção ser apresentada à margem do processo de privatização em curso".

É neste quadro que os chineses admitem que o Novo Banco possa valer pelo menos 5 mil milhões de euros, grosso modo o valor que o fundo de resolução investiu no banco.

Três das quatro propostas de compra direta em estudo pelo Banco de Portugal (Fundo Apollo em consórcio com a Centerbrige, Lone Star e BPI) estarão todas muito abaixo desse valor.

O quarto interessado é o BCP. Não terá oferecido qualquer valor para comprar o Novo Banco mas terá levantado o caderno de encargos da privatização a pensar no plano B - caso a venda direta falhe o capital poderá ser disperso em bolsa. O BCP estará a estudar quanto pagará então por cada ação.

Quem já tem uma ideia precisa de quanto valem as ações do próprio BCP são os chineses da Fosun. O Grupo, que em portugal comprou a Luz Saúde e a seguradora Fidelidade à Caixa Geral de Depósitos, quer comprar no imediato 16,7% do BCP, podendo fazer crescer no curto prazo essa participação até 30%. A operação pode significar o dinheiro que o BCP necessita para se tornar um sério candidato ao Novo Banco.

Ricardo Arroja fala num negócio que pode ascender aos 500 milhões de euros e que possibilitaria limpar as dívidas do banco gerido por Nuno Amado ao Estado.

A capitalização do agora maior banco privado português por dinheiro chinês traria também, segundo o economista e comentador da RTP, alguma segurança já que o principal acionista de referência do BCP, a empresa estatal angolana de petróleos, a Sonangol, não atravessa um bom momento devido à desvalorização do preço do crude nos mercados internacionais.
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