Chocolates com salmonelas. Fábrica belga reabre para três meses de testes

As autoridades sanitárias da Bélgica autorizaram esta sexta-feira a reabertura da fábrica do grupo italiano Ferrero em Arlon, no sul do país. Esta unidade, de onde saíram chocolates Kinder contaminados com salmonelas, retoma agora a laboração por um período de três meses, durante o qual estará sob avaliação. Estava de portas fechadas desde 8 de abril.

RTP /
O gigante italiano Ferrero, conhecido pelas marcas Nutella e Kinder, já confirmou ter recebido “autorização condicional” para retomar a laboração na Bélgica Kolyan ilia - Wikimedia Commons

“Durante este período, as matérias-primas, assim como cada lote de alimentos produzidos, serão analisados. Se estas análises tiverem um resultado em conformidade, os produtos poderão ser colocados no mercado”, indica a Agência Federal para a Segurança da Cadeia Alimentar (Afsca, na sigla francesa) da Bélgica, em comunicado citado pela France Presse.

O gigante italiano Ferrero, conhecido pelas marcas Nutella e Kinder e sediado no Luxemburgo, já confirmou ter recebido “autorização condicional” para retomar a laboração na unidade belga de Arlon: “A partir de hoje, a fábrica inicia o processo de reabertura que levará ao reinício das linhas de produção dentro de algumas semanas”.A fábrica da Ferrero em Arlon, no sul da Bélgica, emprega mais de um milhar de trabalhadores.


“Esta reabertura”, sublinha ainda o grupo Ferrero, “segue-se a uma limpeza profunda e a controlos de segurança alimentar efetuados em estreita colaboração com a Afsca”.

O grupo afiança que foram levados a cabo, desde o início de abril, “mais de 1.99 testes de qualidade”. Diz também que “foram desmontadas e limpas dez mil peças” e instalados “300 metros de novos tubos”.
A contaminação
Em abril, na aproximação da Páscoa, a Ferrero mandou recolher todos os produtos saídos de Arlon, depois de terem sido reportados casos de salmonelose, em diferentes países europeus, com possíveis ligações ao consumo de chocolates com as marcas Kinder Surpresa, Kinder Mini Eggs, Kinder Surpresa Maxi 100 g e Kinder Schoko-Bons.

A 3 de junho, o Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC, na sigla inglesa) dava conta de 392 casos confirmados e 22 prováveis de contaminação por salmonella typhimurium monofásica em países da União Europeia e na Grã-Bretanha.

Logo em abril, em Portugal, a Ferrero Ibérica mandou retirar do mercado, preventivamente, alguns lotes de chocolates fabricados na Bélgica. Em causa estiveram dois produtos - Kinder Schoko-Bons e dos Kinder Happy Moments - com datas de validade entre 26 de maio e 21 de agosto de 2022.Segundo a Ferrero, a contaminação em Arlon teve origem “num filtro situado num tanque de manteiga” e terá aí entrado ou “em matérias-primas contaminadas”, ou “através de pessoas”.

Acusada de ter reagido tardiamente ao problema, que terá sido identificado em dezembro do ano passado, a Ferrero é nesta altura alvo de inquéritos judiciais.

Na Bélgica, um juiz de instrução está desde 19 de abril a apreciar suspeitas de incumprimento de “obrigações de rastreio na cadeia alimentar”, além de “infrações de disposições legais em matéria de segurança e higiene de alimentos”, de “lesões corporais involuntárias” e de “não-assistência a pessoa em perigo”.

Em Paris, uma ação com alegações semelhantes interposta por uma associação de consumidores resultou, no final de maio, na abertura de um inquérito.

c/ agências
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