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Chumbo do PEC fez subir juros do leilão de hoje

Chumbo do PEC fez subir juros do leilão de hoje

Concluída a operação de colocação de dívida, esta quarta-feira, com juros superiores a recentes leilões com as mesmas maturidades, o Governo já veio apontar os danos irreparáveis da recente nega da Oposição ao pacote apresentado no Parlamento. Para o Ministério das Finanças, este leilão de dívida apenas vem confirmar "a deterioração das condições de financiamento provocada pela rejeição do PEC".

RTP /

O Estado português acaba de colocar 1005 milhões de euros em títulos com maturidade em outubro deste ano e março de 2012 e vai pagar neste último prazo juros de 5,902 por cento, 1,571 pontos acima da última emissão com a mesma validade. Dados do Instituto de Gestão de Tesouraria e do Crédito Público: o Estado colocou cinco milhões de euros acima do máximo indicativo para a operação desta manhã, com 550 milhões na linha com maturidade a 21 de outubro (taxa de juro de 5,117%) e 455 milhões na linha com maturidade a 23 de março de 2012 (juro de 5,902%)

Desta operação fica ainda que o Estado se viu hoje obrigado a pagar taxas muito superiores aos últimos leilões com maturidades semelhantes: no leilão de 2 de março com maturidade a seis meses, a taxa de juro média ficou nos 2,984 por cento, tendo atingido hoje os 5,117 por cento; no leilão de 16 de março, a dívida a 12 meses ficou com taxa de 4,33 por cento, atingindo hoje 5,917.

O Governo já veio reagir a estes números, atirando a responsabilidade do agravamento dos juros à rejeição do PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento) 4 pelos partidos da Oposição.

Refere a nota do ministério de Teixeira dos Santos que "o leilão hoje realizado confirmou a deterioração das condições de financiamento provocada pela rejeição do PEC. A apresentação do PEC tinha invertido a trajetória de agravamento que estava a verificar-se. A sua rejeição acelerou esse mesmo agravamento das dificuldades de financiamento, tal como o Governo tinha prevenido em tempo oportuno”.

“As atuais taxas de juro permitem concluir que os danos causados pela rejeição do PEC são irreparáveis", aponta o ministério, lamentando que a Oposição lance para o exterior a ideia de que há “falta de disponibilidade para sacrifícios”, o que, acrescenta o Ministério das finanças, “está, por isso, a impor já um sacrifício bem maior".

João Duque fala de “golpe de teatro”
Uma leitura diversa é feita pelo economista João Duque, que, à margem de uma conferência na Fundação Gulbenkian, em Lisboa, disse que o leilão de hoje não passou de um "número de teatro", especulando com a possibilidade de os títulos terem sido adquiridos pela Segurança Social.

"O Estado quer fazer um número de teatro em que uma pessoa finge que faz um leilão e as pessoas da família compram com o dinheiro do próprio. Aliás, podiam baixar hoje a taxa para três ou quatro por cento, aquilo bem combinadinho ia até abaixo da Alemanha", ironizou o presidente do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG).

"Eu acho que tinha lata para fazer isso. Uma vez que é a brincar, que não esta lá ninguém no leilão, o instituto (Segurança Social) chega lá e dá muito mais dinheiro para baixar a taxa e de repente fica o mundo que boca aberta", acrescentou João Duque, para concluir que uma operação realizada nestas condições "não convence os mercados de coisa nenhuma".
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