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Estado coloca toda a dívida que foi ao mercado

Estado coloca toda a dívida que foi ao mercado

O Estado português acaba de colocar 1005 milhões de euros em títulos com maturidade em outubro deste ano e março de 2012 e vai pagar neste último prazo juros de 5,902%, 1,571 pontos acima da última emissão a 12 meses. Portugal supera assim uma prova de confiança que surgiu apenas um dia depois de os maiores bancos portugueses terem deixado o aviso de que não estavam dispostos a continuar a financiar os cofres públicos.

RTP /

O leilão desta manhã pôs à prova a capacidade de financiamento do país depois de os maiores bancos portugueses terem colocado de parte a compra de dívida pública nacional.Segundo dados do Instituto de Gestão de Tesouraria e do Crédito Público, Portugal colocou cinco milhões acima do máximo indicativo a que se propunha, mas os juros dispararam: 5,9% a 12 meses, face aos anteriores 4,33% e 5,1% a 6 meses, face aos anteriores 4,33%

De acordo com os dados do Instituto de Gestão de Tesouraria e do Crédito Público, o Estado colocou cinco milhões de euros acima do máximo indicativo para a operação desta manhã, com 550 milhões na linha com maturidade a 21 de outubro (taxa de juro de 5,117%) e 455 milhões na linha com maturidade a 23 de março de 2012 (juro de 5,902%).

No que respeita à linha de seis meses a procura foi 2,3 vezes superior à oferta, com os compradores a fazer ofertas no montante de 1267 milhões de euros.

Na linha a 12 meses, a procura foi 2,6 vezes a oferta, na ordem dos 1172 milhões de euros.

Desta operação fica ainda que o Estado se viu hoje obrigado a pagar taxas muito superiores aos últimos leilões com maturidades semelhantes, realizados no último mês de março (2,984% no leilão de 2 de março, numa linha de maturidade a seis meses; 4,33% na linha de 12 meses que foi ao mercado a 16 de março).

Leilão em plena vaga de cortes de rating

A operação decorreu ainda na ressaca de novos cortes de rating, com a escalada dos juros nos mercados secundários, e mesmo hoje, pouco tempo antes de arrancar a venda dos títulos, a Moody’s anunciava cortes nas notas de sete bancos nacionais.

Ontem – na sequência de novos cortes da agência de notação financeira Fitch - os maiores bancos portugueses deixaram um recado ao Governo: é urgente o pedido de ajuda. Neste contexto - acrescentaram - a compra de dívida nacional está colocada de parte. Juros da dívida pública atingiram ontem novos recordes: a taxa a 5 anos esteve nos 10,2% (valor mais alto desde meados dos anos 1990); a taxa a 10 anos chegou a juros superiores a 8,8%

Perante este cenário, o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social foi apontado como um dos investidores para o leilão de hoje.

De acordo com o Jornal de Negócios, o fundo já teria começado a desfazer-se de ativos no estrangeiro, tendo em vista dotar-se de liquidez para a operação.

Grosso da banca diz que não compra mais
Os maiores bancos portugueses avisaram ontem o Executivo de José Sócrates que não comprar mais dívida pública nacional e avançaram com um recado muito claro: é fundamental que o Governo vá à comissão Europeia e avance para um empréstimo intercalar de 15 mil milhões de euros.

A decisão foi vista como uma pressão dos banqueiros para que o Estado peça ajuda internacional.Os banqueiros consideram que a compra de dívida portuguesa os coloca numa situação delicada quando forem feitos os próximos testes de resistência

A posição favorável a uma intervenção de Bruxelas foi assumida em particular pelo presidente do BES. Mas a defesa de Ricardo Salgado de um empréstimo intercalar foi secundado pelos líderes de BPI, Fernando Ulrich, e BCP, Carlos Santos Ferreira.

O recado ao Governo surge depois de uma série de cortes sofridos pelas principais instituições bancárias nacionais. Agora foi a Fitch, que - justificando a decisão com a queda da nota ao próprio país - cortou o nível de seis bancos: as notas da CGD e BCP em dois níveis, a do BPI foi cortado em três. O nível destes bancos é agora de BBB-, chegando ao patamar em que está avaliado o estado português.

"A minha pergunta é porque é que Portugal não recorreu há mais tempo", questionava-se ontem Fernando Ulrich, que numa fase inicial foi um forte opositor à entrada d ajuda externa no país. Moody's acaba de cortar rating de sete bancos: Caixa Económica Montepio Geral, CGD, BCP, BES, BPI, Santander Totta e BPN; para o Montepio o corte foi de um nível, nos restantes foi superior a dois níveis

Para Carlos Santos Ferreira, “é indispensável que neste momento Portugal peça um apoio intercalar à Comissão Europeia". O líder do BCP defende que são necessários pelo menos, e de imediato, 10 mil milhões de euros, parte de um pacote de ajuda mais alargado.

Pior estão o Montepio Geral, o Banif e o Finibanco, classificados com BB, categoria que a polida linguagem das agências considera de "lixo".

Basílio Horta lamenta exposição dos banqueiros
Estas declarações já mereceram uma crítica forte de Basílio Horta, presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, não porque esteja contra a ajuda externa, mas pelo facto de os banqueiros portugueses estarem a discutir na praça pública a questão da ajuda externa.

O presidente da AICEP lembra que há matérias sensíveis que devem ser tratadas de forma discreta.

Basílio horta não coloca contudo de parte que o Governo venha a desencadear um pedido de ajuda no caso de “necessidade”: "Se realmente Portugal precisar desse empréstimo a curto prazo, seguramente há números dos responsáveis para esse efeito. Se for um empréstimo europeu, dentro da União Europeia, e em termos da solidariedade do espaço europeu, acho muito bem, acho muitíssimo bem, é normal que seja assim".
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