Cimpor anuncia investimento superior a 120ME para antecipar "crescimento de consumo de cimento"

Maputo, 18 Mar (Lusa) - O Grupo empresarial português Cimpor vai investir nos próximos anos mais de 120 milhões de euros em Moçambique, 95 milhões dos quais para a duplicação da produção na unidade do Dondo (centro).

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Em comunicado, a Cimentos de Moçambique, subsidiária da Cimpor, refere que o investimento visa manter a empresa com um "papel activo, significativo e importante" no país, na perspectiva de um "crescimento acentuado do consumo de cimento".

"Nos últimos anos, Moçambique tem apresentado um assinalável e sustentado crescimento económico que, a manter-se, e tudo aponta nesse sentido, permite antever um crescimento acelerado do consumo de cimento", lê-se no documento.

Na nota, a Cimentos de Moçambique justifica o investimento na unidade de produção do Dondo, na província de Solafa, com as "grandes obras de engenharia (infra-estruturas ferroviárias, portuárias, rodoviárias, barragens, sistemas de regadio e outras)" previstas para a região centro e sul do país.

O investimento de 95 milhões de euros na fábrica do Dondo, onde hoje apenas existe uma moagem de cimento em operação, visa construir uma nova linha de produção de clínquer de 1.500 toneladas/dia, complementada com novas instalações de moagem e ensacamento, permitindo aumentar a respectiva capacidade de produção de cimento, a partir de 2010, das actuais 240 mil toneladas para cerca de 550 mil toneladas por ano.

A nova linha integrada de produção permitirá criar 100 novos postos de trabalho directos.

"Estes investimentos permitirão cobrir com segurança todas as necessidades do mercado da zona centro, tanto no imediato como num horizonte mínimo de 10 anos a partir de 2010, data em que entrará em funcionamento esta nova linha integral de produção, armazenamento, embalagem e distribuição de cimento", indica a mesma nota.

A empresa Cimentos de Moçambique opera em três unidades fabris localizadas nas cidades de Matola, Dondo e Nacala e que têm possibilitado a cobertura de cerca de 80 por cento do consumo de cimento realizado nas zonas sul, centro e norte do país.

Na fábrica da Matola, arredores de Maputo, o Grupo Cimpor investirá 15 milhões de euros para a "melhoria do desempenho ambiental" e duplicação da capacidade de moagem de cimento, a partir dos meados do próximo ano.

O investimento possibilitará a aquisição de um novo moinho de cimento e respectivos sistemas de ensacamento.

Há anos que a Cimentos de Moçambique tem sido acusada de poluição ambiental nesta fábrica, facto que aliás levou ao encerramento temporário daquela unidade fabril, depois de uma campanha desencadeada por organizações de defesa do ambiente.

Ainda na última segunda-feira, a presidente do Conselho Municipal da Matola, Maria Vicente, manifestou-se preocupada com a contínua poluição do meio ambiente na urbe sob sua jurisdição, considerando que aquela unidade fabril constitui um entrave para o desenvolvimento do município.

Entretanto, o Grupo Cimpor assegurou, em comunicado, que a "empresa continuará empenhada em cumprir os compromissos assumidos no Plano de Acção Ambiental aprovado e já em execução na fábrica da Matola, do qual resultará um dispêndio de mais de 10 milhões de euros de forma a mitigar os efeitos ambientais decorrentes da sua actividade produtiva".

MMT/PGF.

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