Cinco eurodeputados portugueses votaram a favor da revogação de protocolo com Marrocos
Cinco eurodeputados portugueses votaram na quarta-feira a favor da revogação pela União Europeia do protocolo de pescas com Marrocos, que envolve 14 navios portugueses, disse à Lusa o presidente da Associação dos Armadores de Pesca Industrial.
"Infelizmente também tivemos cinco eurodeputados portugueses que votaram a favor do fim deste acordo", disse Miguel Cunha em declarações à Lusa, citando os nomes de Ana Gomes (PS), Ilda Figueiredo e João Ferreira (PCP), Miguel Portas (BE) e Rui Tavares (Verdes).
O presidente da Associação dos Armadores de Pesca Industrial disse não compreender a posição dos eurodeputados portugueses.
"Não percebo como é que pessoas que em determinado momento defendem os interesses da pesca europeia e sobretudo o interesse da pesca portuguesa depois podem ter posições e ações exatamente contraditórias em relação a isto", disse.
Miguel Cunha manifestou uma incompreensão ainda maior relativamente ao caso do eurodeputado João Ferreira.
"O João Ferreira espanta-me muito que tenha sacrificado o sector das pescas porque é uma pessoa que nos tem defendido aqui em Bruxelas, portanto eu fiquei extraordinariamente surpreendido que tenha defendido o fim deste acordo", afirmou o presidente da Associação dos Armadores de Pesca Industrial.
O acordo com Marrocos vai ser revogado hoje pelos ministros da tutela da UE, depois de o Parlamento Europeu (PE) ter chumbado na quarta-feira a sua prorrogação.
A comissária europeia para as Pescas, Maria Damanaki, sublinhou, num comunicado, que o executivo europeu irá respeitar a decisão dos eurodeputados, anunciando que proporá ao ministros da tutela da UE, na quinta-feira, que revoguem "a aplicação provisória do protocolo", que vigora provisoriamente desde fevereiro.
A prorrogação do protocolo ao acordo de pesca entre a UE e Marrocos foi rejeitada por 326 votos contra, 296 a favor e 58 abstenções.
O acordo de pescas previa 119 autorizações para navios comunitários (100 para a Espanha, 14 para Portugal, 4 para a França e 1 para a Itália) e uma contrapartida financeira de 36,1 milhões de euros.