CMVM levanta a suspensão da negociação de ações do BPI

Lisboa, 18 jun (Lusa) - A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) decidiu levantar a suspensão da negociação das ações do Banco BPI, que tinha imposto pelas 09:30 desta quinta-feira, "por terem cessado os motivos que justificaram a suspensão".

Lusa /

De manhã, a justificação avançada pelo supervisor do mercado de capitais português para suspender a negociação dos títulos do banco liderado por Fernando Ulrich prendia-se com a necessidade de haver "divulgação de informação relevante" sobre a entidade.

Várias horas depois dessa decisão da CMVM, o banco catalão CaixaBank anunciou ter desistido da Oferta Pública de Aquisição (OPA) que tinha lançado em fevereiro sobre o português BPI, banco do qual é o principal acionista.

Em comunicado enviado ao regulador espanhol CNMV, o CaixaBank informou que o seu Conselho de Administração acordou "apresentar à CMVM [regulador português] a desistência do registo da sua oferta de aquisição sobre as ações do BPI anunciada a 17 de fevereiro".

A razão apresentada pelo CaixaBank é a de que "não se cumpriu a condição [estipulada na oferta] da eliminação do limite dos direitos de voto" imposto ao banco catalão.

Apesar de deter mais de 44 por cento das ações do BPI, os estatutos do banco português indicam que os catalães apenas tinham 20 por cento dos direitos de voto em assembleia-geral de acionistas.

Pelas 09:15 e antes de a negociação ser suspensa pela CMVM, os papéis do BPI estavam a subir 1,86% para 1,259 euros, depois de terem caído 6,36% para 1,236 euros na quarta-feira.

Na quarta-feira, os acionistas do BPI decidiram em assembleia-geral chumbar a desblindagem dos direitos de voto a 20% no banco, passo essencial para o sucesso da Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada pelo CaixaBank.

No final da assembleia-geral de acionistas, que decorreu no Porto, o presidente executivo do BPI, Fernando Ulrich, afirmou que "a oferta está de pé, está viva", salientando que na reunião "não se esteve a tratar da oferta, mas da alteração dos estatutos" do banco.

Já a Santoro, da angolana Isabel dos Santos, que é a segunda maior aconista do BPI e se posicionou desde a primeira hora contra a OPA do CaixaBank considerou que essa oferta "morreu" com o chumbo dos acionistas à desblindagem dos estatutos, reiterando-se empenhada na fusão do banco com o Millenium BCP.

O Caixa Bank lançou a 17 de fevereiro uma OPA sobre a totalidade do capital do BPI a 1,329 euros por ação, um preço considerado baixo pela administração do banco português.

Duas semanas depois, Isabel dos Santos avançou uma proposta alternativa de fusão entre o BPI e o BCP.

 

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