CNA defende que medidas estão aquém das necessidades dos agricultores

A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) defendeu hoje que as medidas apresentadas pelo Governo para mitigar o impacto da seca não respondem "de forma eficaz" às necessidades do setor, reclamando apoios financeiros extraordinários.

Lusa /
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"A ministra da Agricultura do Governo português acaba por anunciar um punhado de medidas que não respondem de forma eficaz às grandes dificuldades que os agricultores estão a enfrentar. Depois de ter ido a Bruxelas `negociar` apoios para a agricultura portuguesa minimizar os efeitos da seca, a montanha pariu um rato", apontou, em comunicado.

Para a CNA, mais do que antecipação de pagamentos, flexibilização de restrições, programas de investimento ou medidas que "arriscam aumentar o endividamento", são "urgentes apoios financeiros extraordinários" para os agricultores.

A confederação sublinhou que o adiantamento das ajudas da Política Agrícola Comum (PAC) para outubro, antecipa pagamentos aos quais os agricultores já tinham direito, contudo, questiona como é que estes vão aguentar, até lá, as perdas de rendimento, face ao aumento dos custos e ao facto de as culturas estarem comprometidas.

"Exige-se, por isso, e no imediato, que sejam implementadas medidas que venham reforçar a capacidade financeira dos agricultores e que passem pela atribuição de ajudas a fundo perdido pela perda de rendimentos e capazes de repor o potencial produtivo onde este tenha sido afetado", reiterou.

Por outro lado, a CNA pediu a criação de ajudas à alimentação animal, que minimizem as dificuldades decorrentes da escassez de pastagem, fenos e palhas, bem como os elevados custos com as rações.

Com 90% do território em seca severa ou extrema, se estas medidas não avançarem, muitas explorações agrícolas serão obrigadas a encerrar, vincou, precisando que serão, sobretudo, as pequenas explorações da agricultura familiar as mais afetadas.

A confederação voltou também a defender o reforço do Ministério da Agricultura para que esteja dotado dos recursos para apoiar o setor face a situações extremas.

Por último, a "CNA reafirma que é necessário combater a escalada especulativa com os preços dos combustíveis, eletricidade, fertilizantes e reações e, de uma vez por todas, enfrentar o poderio desmedido da grande distribuição, que esmaga, em baixa, os preços na produção nacional".

A ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, garantiu, esta segunda-feira, ter observado, por parte da Comissão Europeia, uma "abertura grande" para avançar com "medidas imediatas" de apoio "para fazer face às necessidades" dos agricultores portugueses, devido à seca.

"Recebemos, por parte do comissário, uma abertura grande para poder fazer face a medidas imediatas que ajudem os agricultores da Península Ibérica a ter respostas imediatas a esta contingência", declarou a responsável pela tutela.

Falando aos jornalistas portugueses em Bruxelas, no final de um Conselho de Agricultura no qual apresentou, com o seu homólogo espanhol, medidas de apoio para "ajudar os agricultores que passam por momentos muito difíceis" devido à seca, Maria do Céu Antunes escusou-se a avançar com valores, explicando que "isso vai depender daquilo que são as disponibilidades de cada um dos Estados-membros".

"Aquilo a que o senhor comissário se comprometeu connosco foi a estar atento àquilo que são as necessidades e àquilo que é a evolução também da situação" e que "podemos estar à espera do que for necessário para fazer face às necessidades dos nossos agricultores", referiu a governante.

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