Coligação de ambientalistas condena declarações sobre ICNF de ministro da Agricultura

Coligação de ambientalistas condena declarações sobre ICNF de ministro da Agricultura

Sete organizações ambientalistas condenaram hoje declarações do ministro da Agricultura sobre o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), considerando-as uma abordagem "incompatível com o Estado de Direito democrático".

Lusa /

"O ICNF não existe para legitimar decisões políticas previamente tomadas nem para acomodar interesses setoriais de curto prazo. Existe para cumprir e fazer cumprir a lei, avaliar impactes ambientais com base no melhor conhecimento científico disponível e salvaguardar bens públicos essenciais --- nomeadamente a biodiversidade e outros valores naturais --- que pertencem a toda a sociedade e cujo comprometimento afeta o bem-estar, a segurança e o futuro das próximas gerações", dizem em comunicado.

As sete organizações são: WWF Portugal, Fapas, Geota, LPN, Quercus, Spea e Zero.

Em causa está um vídeo enviado na sexta-feira por José Manuel Fernandes a dirigentes do ICNF, que participavam numa reunião com a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho, na qual agradeceu o "trabalho de qualidade" do instituto e pediu aos dirigentes para serem proativos.

"Por vezes a resposta é que não se pode fazer porque a legislação não o permite. E a pergunta que se deve fazer é: mas a legislação devia permitir? E se a legislação devia permitir o que nós devemos fazer é alterar essa legislação, que às vezes é uma simples portaria, outras vezes é um decreto-lei, mas outras vezes é uma diretiva ou um regulamento, que também se pode alterar", disse depois.

Num comentário hoje divulgado as sete organizações, parte delas já se manifestou individualmente, manifestam a necessidade de "salvaguardar a independência técnica, científica e institucional do ICNF".

"Rejeitamos qualquer tentativa de instrumentalização política de uma entidade cuja missão é servir o interesse público e proteger o património natural do país. Defendemos, por isso, que o ICNF deve voltar a ter tutela única do atual Ministério do Ambiente e Energia, assegurando coerência política, transparência institucional e alinhamento com os objetivos nacionais e europeus de conservação da natureza e da biodiversidade", defendem.

As organizações exigem também uma clarificação pública, por parte do Governo, quanto ao futuro do ICNF e ao seu papel central na conservação da natureza.

As declarações de José Manuel Fernandes, apontam as organizações no comunicado, inserem-se num contexto mais amplo em que têm sido levantadas dúvidas sobre o futuro do ICNF.

E lembram que Portugal assumiu compromissos em matéria de conservação da natureza, na nível nacional e internacional, nomeadamente junto da União Europeia, e que fragilizar ou condicionar o ICNF "compromete diretamente a capacidade do país honrar esses compromissos e expõe Portugal a riscos legais, financeiros e reputacionais".

Afirmando que a ministra do Ambiente também já manifestou dúvidas quanto ao futuro do ICNF, as sete organizações destacam que tal acontece quando a entidade está a liderar o grupo de trabalho responsável pelo Plano Nacional de Restauro da Natureza, que "deve assentar exclusivamente em critérios científicos, técnicos e legais".

"Em circunstância alguma um organismo como o ICNF pode ser condicionado por pressões políticas ou por interesses alheios à sua missão", diz-se no comunicado, subscrito pelas organizações.

 

 

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