Companhia Portuguesa de Amidos quer construir fábrica de bioetanol na freguesia

S. João da Talha, Loures, 23 Jan (Lusa) - A Companhia Portuguesa de Amidos (COPAM) pretende instalar uma fábrica de bioetanol (combustível a misturar com a gasolina, feito a partir de milho) na freguesia de S. João da Talha, em Loures.

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A fábrica de bioetanol de S. João da Talha encontra-se já em fase de avaliação de impacto ambiental, tendo o ante-projecto estado disponível para consulta pública entre 11 de Dezembro e 16 de Janeiro.

Segundo o ante-projecto, esta fábrica situar-se-á num terreno de 4,2 hectares em frente às instalações da COPAM e criará 45 postos directos de trabalho em laboração contínua.

Em termos de produção, a estrutura consumirá cerca de 500 toneladas de milho por dia, produzindo anualmente cerca de 70 metros cúbicos de etanol.

De acordo com Maria Leonor Tavares, responsável pelo projecto, a estrutura está em consonância com as directivas comunitárias para a redução dos níveis do dióxido de carbono emitidos e de redução do uso de combustíveis.

Contactado pela Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de S. João da Talha, Paulo Amado (CDU) manifestou, porém, "dúvidas" relativamente ao "impacto ambiental" da fábrica na zona.

O autarca aponta a incerteza quanto ao fluxo de viaturas e ao meio de transporte das matérias-primas (S. João da Talha conta também com linha de comboio em adição às vias rodoviárias) e as consequências no aumento da emissão de dióxido de carbono na área, bem como relativamente às emissões de substâncias nocivas para a atmosfera e quanto à prevenção de derrames de líquidos perigosos, dado que o terreno também se encontra em zona de cheias.

"Se não forem contempladas respostas para as nossas dúvidas, não veremos com bons olhos a instalação da fábrica de bioetanol em S. João da Talha", adverte Paulo Amado.

Instada a responder a estas dúvidas, Maria Leonor Tavares lembra que "o objectivo é a redução dos níveis de dióxido de carbono" e que o documento a que a junta de freguesia teve acesso é "o resumo não-técnico" pedido pela Comissão de Coordenação do Desenvolvimento Regional para Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT) para a elaboração da Declaração de Impacto Ambiental (DIA).

Assim, a responsável diz estarem "previstas, levantadas e estudadas" todas as dúvidas levantadas pelo autarca, com a excepção do plano de contingência e emergência, não previsto no ante-projecto.

Para o próximo sábado, 26 de Janeiro, pelas 15:00, está marcado um debate público sobre a construção da fábrica de bioetanol, promovido pela Assembleia de Freguesia de S. João da Talha.

De acordo com o presidente da Assembleia de Freguesia, António Prates (CDU), esta iniciativa pretende revelar o projecto "às pessoas e aos órgãos da Assembleia de Freguesia".

Falando de alguma "desinformação, António Prates diz também não haver ainda "nenhuma tendência", a favor ou contra, por parte da população.

MYD.

Lusa/Fim


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