Confagri diz que otimismo do Governo é prematuro e pede investimento
A confederação das cooperativas agrícolas defendeu hoje que "otimismo do Governo" em relação ao acordo entre a União Europeia (UE) e o Mercosul "é prematuro" e pediu mais investimento no setor agroalimentar.
"No que toca ao setor agroalimentar, a Confagri [Confederação Nacional das Cooperativas Agrícolas e do Crédito Agrícola de Portugal] considera demasiado prematuro o otimismo do Governo em relação ao acordo UE-Mercosul, lembrando que o mesmo é bidirecional e que, apesar de poder representar algumas oportunidades de exportação, pode, também, apresentar múltiplas ameaças ao mercado interno", referiu, em comunicado.
A confederação assinalou ainda que os agricultores não estarão a competir em pé de igualdade com o Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, se não existir uma "rigorosa fiscalização" das regras impostas.
A Confagri pede assim mais investimento no setor agroalimentar, de modo a aumentar a competitividade.
Contudo, avisou que esta exigência colide com a proposta da nova Política Agrícola Comum (PAC), que prevê "um corte significativo no orçamento, particularmente nas áreas do investimento em inovação e conhecimento".
O Conselho da União Europeia anunciou na sexta-feira a aprovação do acordo comercial com quatro países do Mercosul.
Este acordo vai ser assinado no sábado, no Paraguai.
O acordo UE-Mercosul permitirá aos europeus exportar mais veículos, maquinaria, vinhos e bebidas espirituosas para a América do Sul.
No sentido oposto, facilitará a entrada na Europa de carne, açúcar, arroz, mel e soja.
O ministro da Agricultura aplaudiu, na sexta-feira, o acordo e destacou o impacto importantíssimo para Portugal, que poderá agora saldar o défice com este mercado.
"Regozijo-me com esta aprovação dos Estados-membros. Quando estive no Parlamento Europeu, estive muito empenhado na concretização deste acordo, que considero muito positivo para a União Europeia, Mercosul e Portugal", afirmou, na altura, o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, em declaração aos jornalistas, em Lisboa.
José Manuel Fernandes lembrou que existe um défice de 500 milhões de euros na balança comercial em relação ao Mercosul e que este acordo vai permitir saldar esse valor.