Confirmada proposta da Semapa para travar OPA da Camargo Corrêa sobre a Cimpor

A Semapa confirmou que apresentou à Caixa Geral de Depósitos e ao fundo de pensões do BCP uma proposta para aquisição das participações da Cimpor, “por uma sociedade a constituir”. A informação surge depois de a Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) ter pedidos esclarecimentos a Pedro Queiroz Pereira, presidente da Semapa, sobre a proposta alternativa à Operação Pública de Aquisição (OPA) lançada pela Camargo Corrêa sobre a Cimpor. A Semapa acrescenta que o valor a pagar pelas ações nunca será inferior aos 5,75 euros.

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Segundo a Semapa, “esta nova sociedade, integralmente portuguesa, viabilizaria a liquidez da posição aos acionistas que nisso tivessem interesse, através de uma oferta pública de venda" RTP

“No dia 5 de abril a Semapa apresentou à Caixa Geral de Depósitos e à Pensãoesgere – Sociedade Gestora do Fundo de Pensões S.A. na qualidade de sociedade gestora do Fundo de Pensões do BCP, uma proposta relativa à aquisição por uma sociedade a constituir do conjunto das participações daquelas entidades na Cimpor”, lê-se num comunicado ontem enviado pela Semapa à CMVM.

O documento acrescenta que “a aquisição desta nova sociedade das participações da Cimpor seria efetuada por um valor de não inferior a 5,75 euros”.

Segundo o comunicado, “a nova sociedade a constituir integraria, pelo menos numa primeira fase, a Caixa Geral de Depósitos e o Fundo de Pensões do BCP e ainda Manuel Fino, SGPS, S.A., caso esta venha a aderir, agregando assim, não só a totalidade das participações detidas por estas entidades no capital da Cimpor, representando no seu conjunto 30,3 por cento do capital desta última, como também a totalidade da participação no capital da Secil – Companhia Geral de Cal e Cimento, S.A., numa repartição de capital de 50/50 entre a Semapa e as outras entidades”.

A Semapa acrescenta ainda que os destinatários da referida proposta foram informados de “que encarava como alternativa poder vir a proceder à compra das correspondentes participações na Cimpor” por valor não inferior aos 5,75 euros.

“Esta proposta, válida por 15 dias, foi apresentada tendo como racionalidade o facto de se estar perante um cenário de inevitabilidade de partilha dos ativos da Cimpor à total revelia dos interesses nacionais”, acrescenta o documento.
Sociedade "integralmente portuguesa"
Segundo a Semapa, “esta nova sociedade, integralmente portuguesa, viabilizaria a liquidez da posição aos acionistas que nisso tivessem interesse, através de uma oferta pública de venda a efetuar assim que as condições de mercado o permitissem”.

Recorde-se que a 30 de março, a InterCement, detida pela brasileira Camargo Corrêa, lançou uma OPA sobre a totalidade das ações da Cimpor, oferecendo 5,50 euros por ação.

Na altura, tanto a Caixa Geral de Depósitos, que detém 9,58 por cento das ações da Cimpor, como o Fundo de Pensões do BCP, que possui dez por cento, anunciaram que iam vender as participações.

A Camargo Corrêa é já a maior acionista da Cimpor, com 32,9 por cento do capital, seguida da também brasileira Votorantim que detém 21,1 por cento da cimenteira.

Proposta da Camargo Corrêa analisada pela AdC
A OPA que a Camargo Corrêa lançou sobre a cimenteira portuguesa está a ser analisada pela Autoridade da Concorrência (AdC), revela um anúncio hoje divulgado na imprensa.

“Torna-se público que a AdC recebeu a 2 de abril, uma notificação prévia de uma operação de concentração de empresas, que consiste na aquisição, pela Camargo Corrêa, do controlo exclusivo da Cimpor através da realização de uma OPA”, lê-se no anúncio.

O anúncio assinado pelo Diretor do Departamento de Controlo de Concentrações acrescenta que, “quaisquer observações de terceiros interessados sobre a operação de concentração em causa”, devem “ser remetidas à Autoridade da Concorrência no prazo de 10 dias úteis”.
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