Conselhos de Redação preocupados com efeitos da uniformização de todas as submarcas da RTP
Os Conselhos de Redação da RTP manifestaram hoje preocupação com o projeto para a uniformização de todas as submarcas da RTP e a futura Casa das Notícias, alertando para "alterações profundas" no caso das marcas da rádio.
Em comunicado, o Conselho de Redação da Televisão (CR-TV) e o Conselho de Redação da Rádio (CR-Rádio) referiram que foi "apresentada aos jornalistas como consolidada uma nova imagem para o grupo RTP", alertando para a "potencial perda de identidade e capacidade editorial".
"Prevê-se que a mudança iniciada com a RTP Notícias (no canal de televisão e no website) se estenda até ao final deste mês com uma nova imagem dos vários canais de televisão e de rádio. No caso das marcas da Antena 1, Antena 2 e Antena 3, as alterações são profundas, porque deixam para um plano secundário estes títulos históricos em detrimento de uma marca única - RTP - introduzida no início de cada nome", pode ler-se.
Devido às preocupações geradas, CR-TV e CR-Rádio convocaram para 18 de março, às 14:30, no auditório da RTP em Lisboa, um plenário conjunto de jornalistas "para que se possa discutir o futuro destas redações e para debater eventuais ações a tomar".
O CR-TV e o CR-Rádio detalharam que "segundo as imagens apresentadas internamente, os microfones passam a ser semelhantes, com RTP em destaque e todas as restantes marcas remetidas para baixo na esponja do microfone".
Quanto à RDP África e à RDP Internacional, são títulos que desaparecem do universo da rádio, absorvidos pela já existente RTP África e por uma nova RTP Mundo, sem que exista uma distinção entre as plataformas da televisão e da rádio, frisaram.
"Em plenário da rádio, os jornalistas votaram por larga maioria (com apenas uma abstenção) a rejeição desta estratégia", divulgaram também.
Os Conselhos de Redação explicaram ainda que nos planos do Governo e da administração da RTP está uma Casa das Notícias, um "projeto que prevê fisicamente a concentração das redações de televisão, de rádio e de multimédia num único espaço em Lisboa, com cerca de 130 postos, num esforço apresentado como aproximação de redações".
"Embora o projeto esteja numa fase inicial, que a administração refere que será aprofundado com a EBU e em grupos de trabalhos que envolvam os jornalistas, os conselhos de redação receiam que esteja a ser aberto um caminho de convergência entre redações", sublinharam.
Para o CR-TV e o CR-Rádio "a crescente saída de jornalistas que não estão a ser substituídos, em especial na televisão, a aposta no digital - que não é aqui posta em causa - e a uniformização da imagem do grupo RTP são elementos que podem potenciar escolhas editoriais e que penalizam as plataformas".
"Os CR receiam que a rádio possa ser particularmente afetada, limitando-se a selecionar e emitir sons que chegam em bruto à redação nas situações em que for decidido editorialmente a presença de um único jornalista em representação da rádio e da televisão", apontaram.