Constâncio considera que dados revelam alguma capacidade das empresas, mas números deverão agravar-se

Lisboa, 17 Fev (Lusa) - O governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, disse hoje que os dados do desemprego revelam alguma capacidade das empresas, mas antevê que os números se deverão agravar um pouco.

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"Depende da continuação do clima recessivo que poderá agravar um pouco estes números", afirmou Vitor Constâncio à margem do Conselho Nacional da Confederação da Industria Portuguesa (CIP).

"Tendo em conta a recessão do PIB no quarto trimestre [os números] revelam capacidade das empresas em aguentarem o nível de emprego", acrescentou.

A taxa de desemprego atingiu os 7,6 por cento no final de 2008, o que representa um desagravamento face aos 8 por cento de 2007.

Os dados hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) indicam que a taxa de desemprego no quarto trimestre situou-se nos 7,8 por cento, o mesmo valor em relação à taxa verificada nos últimos três meses de 2007, traduzindo um ligeiro aumento face ao trimestre anterior (em que a taxa se situou 7,7 por cento).

A previsão do Governo para 2008 era de 7,7 por cento.

De acordo com o INE, no 4º trimestre, a população desempregada foi estimada em 437,6 mil indivíduos, correspondendo a um decréscimo de 0,4 por cento face ao trimestre homólogo de 2007 e a um aumento de 0,9 por cento em relação aos três meses anteriores.

O governador do Banco de Portugal admitiu ainda que é "difícil dizer" se a economia europeia bateu no fundo no quarto trimestre do ano passado dado o "clima de incerteza".

Constâncio explicou que nos últimos três meses do ano passado "houve um colapso no comércio mundial".

Quanto ao impacto das medidas adoptadas pelos governos e bancos centrais, o governador do Banco de Portugal disse que, no primeiro caso, as medidas de política orçamental "ainda não se concretizaram", mencionando o caso dos EUA.

Sobre as medidas de política monetária, Constâncio defendeu que as medidas adoptadas começam a ter efeitos.

O responsável conta com o efeito das medidas dos governos e dos bancos centrais para "suster o ritmo de recessão", que para Constâncio é uma "recessão mundial que pela primeira vez desde a IIª Guerra Mundial atinge todas as regiões do mundo".


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