Constâncio diz que Banco de Portugal não é a KGB nem o FBI

O Governador do Banco de Portugal veio a público defender o Banco de Portugal como organismo regulador da actividade financeira que, diz, se pauta por métodos e padrões próprios usados internacionalmente, recusando a hipótese de o organismo ter uma actuação policial ao nível da KGB e do FBI.

RTP /
Audição de Governador do Banco de Portugal na AR ficou marcada por crispação com deputado do BE João Relvas, Lusa

Vítor Constâncio participava numa audição na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças da Assembleia da República. Incomodado com as perguntas que lhe foram colocadas pelo deputado do Bloco de Esquerda, Constâncio acusou-o de "equívoco ou ignorância fundamental" sobre o que é a supervisão e o que foi a intervenção do Banco de Portugal no Banco Português de Negócios.

O antigo líder socialista e actual homem forte do Banco Central qualificou algumas das questões colocadas pelo deputado da formação mais à esquerda do hemiciclo de serem formuladas com a "presunção de os supervisores serem uma espécie de KGB e FBI juntos".

Esclareceu que o supervisor não é um "superpolícia" com acesso a tudo e que consegue abrir todas as portas, mas antes, actua com métodos e padrões reconhecidos, que são os aplicados por muitos dos organismos internacionais de supervisão.

"Não pode ser cometido o erro, para não dizer outra coisa, de se avaliar a actuação por critérios e objectivos que sejam diferentes das práticas internacionais", indignou-se o governador do Banco de Portugal.

Vítor Constâncio lembrou aos deputados da Comissão que ainda recentemente o FMI publicou uma análise que revela que o Banco de Portugal está no grupo dos melhores organismos de supervisão tendo em consideração as suas práticas.

Se para Constâncio a actuação do Banco de Portugal em todo o processo do BPN foi pautada pela regularidade e pelo cumprimento das práticas internacionalmente avalizadas, já a actuação dos revisores oficiais de conta e dos auditores são de questionar.

Não entende o governador como é que as situações detectadas no BPN, ainda antes da situação que conduziu à nacionalização, "foram todas identificadas pelo Banco de Portugal e não pelos auditores".

Vítor Constâncio não viu a vantagem de regressar à Assembleia da República e questionou o interesse de regressar na próxima semana à comissão parlamentar de inquérito. Lembrou que já esteve a responder "até às três da manhã a perguntas dos deputados na Comissão Parlamentar" de Inquérito.

O economista teme que na próxima audição pela comissão parlamentar tudo se repita e nada de novo surja. Coloca mesmo em dúvida a utilidade da audição uma vez que, na sequência da primeira audição, o Banco de Portugal já enviou os relatórios e documentos que dão conta das várias actuações que, enquanto supervisor, teve junto do BPN.

Nenhum comentário em relação a Oliveira e Costa

À saída da audição na Comissão Parlamentar de Orçamento e Finanças, Vítor Constâncio foi abordado pelos jornalistas que o questionaram sobre as intervenções do antigo presidente da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), José Oliveira e Costa, em sede de comissão parlamentar de inquérito.

Vítor Constâncio mostrou-se muito reservado optando por não fazer nenhum comentário sobre as revelações e acusações feitas pelo antigo homem forte da SLN e do BPN.

Sem comentários à saída, reserva-os, no entanto, para a sua intervenção na próxima semana quando se deslocar à Assembleia da República para, pela segunda vez, ser ouvido na mesma comissão Parlamentar que ontem ouviu Oliveira e Costa.

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