Construtora Lucios admite redimensionar operação em Portugal

Porto, 08 dez (Lusa) -- O administrador da construtora Lucios, Filipe Azevedo, afirmou que os próximos dois anos serão críticos para a definição da estratégia nacional da empresa, questionando-se se valerá a pena manter uma operação significativa em Portugal devido à crise.

Lusa /

"Hoje em dia questionamo-nos se vale a pena fazer esse esforço para nos mantermos aqui em Portugal nesta grandeza porque efetivamente as oportunidades são tão poucas, diminuíram efetivamente bastante", disse o administrador da Lucios, que lembrou que as operações em Moçambique e em França estão agora a arrancar e pretendem reduzir o peso de Portugal no volume de negócios de 80% para cerca de 55% já em 2014.

Filipe Azevedo, que representa a terceira geração familiar à frente da Lucios, construtora fundada pelo avô, afirma que os próximos dois anos são fundamentais para a empresa perceber qual vai ser o futuro: "Se temos de nos redimensionar aqui em Portugal e para que tipo de redimensionamento é que tem de ser. 2014 e 2015 serão decisivos para percebermos se conseguimos em Portugal manter esta dimensão ou se temos efetivamente que fazer uma otimização ainda maior da estrutura".

A Lucios emprega cerca de 300 pessoas em Portugal, rondando os 60 funcionários em Moçambique e tendo uma equipa de gestão em França, onde começou, no mês passado, a erguer estaleiro para uma obra de reabilitação em Vichy num valor total de 12 milhões de euros.

"É precisamente aquilo que, neste momento, Portugal não tem para nos oferecer. Estamos já em obra e estão a começar a aparecer outras oportunidades, não só em Vichy. A estratégia em França foi entrar pela reabilitação, onde temos conhecimentos adquiridos que nos permitem fazer alguma diferença na parte técnica", afirmou Filipe Azevedo.

Apesar de França não ser um mercado atrativo para empresas que preferem rumar a países emergentes, Filipe Azevedo admite que sempre tiveram "uma grande vontade" de experimentar mercados europeus, não colocando "os ovos todos no mesmo cesto" que seria África.

Ainda assim, para além de um arranque em Moçambique que este ano já vai representar entre cinco a seis milhões de dólares na faturação da Lucios (que já está acima dos 50 milhões de euros anuais), a empresa sediada em Vila do Conde está a preparar a entrada no Gana, em parceria com uma companhia imobiliária já presente naquele país.

"Estamos a estudar uma parceria com uma empresa portuguesa que não é da nossa área, é do imobiliário, mas que nos permite entrar de forma mais célere e concentrados na nossa atividade", afirmou Filipe Azevedo.

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