Costa considera "negativa" existência de parque de estacionamento no Príncipe Real

Lisboa, 17 jun (Lusa) -- O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, António Costa, afirmou hoje na Assembleia Municipal que as perfurações no Príncipe Real são apenas de avaliação, frisando que é negativo construir um parque naquela zona da cidade.

Lusa /

"É negativo que exista um parque rotativo naquela zona da cidade", disse António Costa, que falava na Assembleia Municipal de Lisboa (AML), referindo-se à possível construção de um parque subterrâneo no Príncipe Real.

De acordo com o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, a autarquia apenas autorizou a realização de sondagens no local, para verificar se esta estrutura não interfere com o espaço do jardim, pelo que só se tomarão decisões quando o processo estiver terminado.

António Costa explicou que a construção foi concessionada "há muitos anos" a uma empresa privada, mas a autarquia e a Direção-Geral do Património chumbaram o projeto, por não dar "garantias suficientes".

Ainda assim, reconheceu que "aquele parque pode ser uma mais-valia porque é uma zona carente de estacionamento para residentes, mas só se se verificar que não existe risco".

"Não aceitamos um parque que cause qualquer risco à subsistência do jardim ou à [sua] estrutura hidrogeológica", frisou António Costa.

O autarca defendeu que ali deveriam existir mais transportes públicos, acrescentando que "um dia em que a Carris esteja sob gestão do município", pretende-se estender o circuito do elétrico à zona do Príncipe Real. "É a vontade que temos", frisou.

O tema foi levado àquela reunião pelo PCP, pelos Verdes e pelo BE, que efetuaram recomendações à autarquia quanto a este parque. O documento do PCP contra as "perfurações no solo do Jardim França Borges" foi aprovado, com votos contra do PNPN, abstenções do PSD e PS e votos favoráveis das restantes forças políticas ali presentes. Igual destino teve a recomendação dos Verdes, que apela à "defesa do Jardim do Príncipe Real e [dos] demais jardins emblemáticos da cidade de Lisboa", com abstenções do PS e PNPN (Parque das Nações Por Nós) e votos a favor do PSD, MPT, PAN, CDS, PCP, PEV e BE. Já a recomendação do Bloco de Esquerda foi rejeitada com votos contra dos deputados independentes, de um deputado socialista e do PSD. Os restantes deputados do PS abstiveram-se, à semelhança do PNPN. Os restantes partidos mostraram-se favoráveis.

Nas suas intervenções, a comunista Ana Páscoa, a bloquista Mariana Mortágua e a deputada Cláudia Madeira dos Verdes salientaram que este é um dos jardins mais emblemáticos da cidade, que já esteve parado durante demasiado tempo, não sendo legítimo destruí-lo através da criação desta zona de estacionamento.

Os moradores também já criticaram esta estrutura, tendo lançado na segunda-feira uma petição para mostrar a sua indignação. No documento, o Grupo de Amigos do Príncipe Real, o Fórum Cidadania Lx, a Liga dos Amigos do Jardim Botânico e a Associação Lisboa Verde, signatários da petição, "manifestam o seu repúdio" por esta construção, alegando entre outros motivos que em causa está a proteção associada ao Reservatório da Patriarcal do Príncipe Real, assim como a candidatura do Aqueduto das Águas Livres a património mundial da UNESCO.

A "Petição contra a construção do parque de estacionamento subterrâneo na Praça do Príncipe Real", que apela ainda ao arquivamento deste processo, contava às 18:00 com mais de 1.400 assinaturas.

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