Costa critica "contrassenso" das sanções

O primeiro-ministro mantém-se a confiança que Portugal não seja sancionado de forma efetiva. Depois de o Ecofin ter dado luz verdade à aplicação de sanções, António Costa manteve que estas são “injustificadas” e “contraproducentes”. Afirma que “todo o processo é um contrassenso”, relembra os elogios de Schäuble a Maria Luís Albuquerque e promete defender o interesse nacional. “É injustificado dizer que o anterior Governo não procurou cumprir as metas”, afirma mesmo.

RTP /
António Costa reagiu ao início da tarde à decisão do Ecofin em dar luz verde à aplicação de sanções a Lisboa e Madrid. O primeiro-ministro começou por apontar que a decisão do Ecofin é “formal” e que não “tem particular novidade” em relação ao Eurogrupo de segunda-feira.

Costa explicou que o Governo defenderá que é “injustificado e contraproducente” a aplicação de sanções a Portugal.

O chefe do Governo mostrou-se confiante, revelando que tem sentido que há “bom-senso” na Comissão, em particular da parte de Jean-Claude Juncker. “Se nos mantivermos firmes na argumentação que temos vindo a produzir teremos o resultado que desejamos e merecemos que é não haver nenhuma sanção efetiva a Portugal”, explicitou.
"Todo este processo é um contrassenso"

Questionado pelos jornalistas sobre o contrassenso que seria a aplicação de uma sanção zero, o primeiro-ministro foi assertivo. “Todo este processo é um contrassenso”, afirmou, lembrando os elogios que chegaram a ser feitos pelas instituições internacionais.

“O insuspeitíssimo ministro alemão das Finanças até apresentava sempre a sua colega portuguesa como o modelo de boa aluna e de empenho no cumprimento das metas”, atacou. Para Costa, a pretensão atual de apresentar sanções “não credibilizam o funcionamento da Europa e descredibilizam bastante o senhor Schäuble”.
"Na boa rota"
As explicações de António Costa foram dadas em conferência de imprensa ao início da tarde, em São Bento. O primeiro-ministro mantém que o julgamento europeu “tem a ver exclusivamente com a execução orçamental do período 2013-2015” e defende, neste aspeto, o Executivo de Pedro Passos Coelho.

“É injustificado dizer que o anterior Governo não procurou cumprir as metas”, afirmou, exemplificando com a evolução das contas públicas entre 2010 e 2015.

“Houve uma redução, sem medidas excecionais de receita e despesa, de 8,6 para 3,2 do nosso défice. É contraproducente adotar sanções no ano em que a própria Comissão Europeia reconhece que Portugal vai ficar abaixo do défice dos três por cento”, insistiu o governante.

Costa considera que Portugal está “na boa rota” para cumprir as metas inscritas no Orçamento do Estado, alicerçando-se nos números até agora conhecidos da execução orçamental.

Sempre mantendo a confiança, Costa referiu que se a Europa “ouvir como deveria ouvir mais o presidente Juncker e ouvisse menos alguns dos membros do Eurogrupo, certamente teríamos uma melhor Europa e onde a economia estaria mais forte”.
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