Costa revela défice inferior a 1,3% este ano

Na sessão de cumprimentos do Governo ao Presidente da República, António Costa disse que já podia dizer, "sem causar arrepios ao ministro das Finanças", que o défice este ano vai ser inferior a 1,3% do Produto Interno Bruto.

RTP /
António Cotrim - Lusa

António Costa realçou algumas das conquistas económicas neste ano que se aproxima do fim. O primeiro-ministro diz que este ano teremos o maior crescimento económico desde o princípio do século e que a dívida pública vai ficar abaixo das melhores expetativas que tinham em abril, que não superará os 126,2% este ano.

"Tivemos no ano passado o menor défice da nossa democracia, e este ano vamos ter um défice que hoje já podemos dizer, sem criar arrepios ao senhor ministro das Finanças, que será inferior a 1,3%", declarou o primeiro-ministro.

Há dois dias, o primeiro-ministro tinha-se manifestado convicto de que o défice deste ano iria "ficar abaixo de 1,4%", referindo que a meta inicialmente traçada pelo Governo era 1,5% do PIB e depois foi revista para 1,4%.
Relação "irrepreensível" com PR e "choque coletivo" com os fogos
O primeiro-ministro considerou que tem havido solidariedade institucional "irrepreensível" entre Governo e Presidente da República, com trabalho conjunto nas horas boas e más, e que os incêndios provocaram "um choque coletivo.

O primeiro-ministro referiu-se às relações com o chefe de Estado logo no início da sua intervenção, declarando: "Reafirmamos aquilo que deve ser o bom relacionamento entre órgãos de soberania e a forma irrepreensível como a solidariedade institucional se tem manifestado entre o Presidente da República e o Governo, entre o Governo e a Presidência da República, ao longo destes dois anos em que temos trabalhado em conjunto, quer nas boas horas, quer nas horas más".

"Obviamente, toda a vida é feita de bons momentos e de maus momentos. E este ano foi também assim. Foi um ano em que tivemos importantes sucessos, mas em que vivemos traumaticamente a maior tragédia humana provocada por catástrofes naturais de que qualquer um de nós tem de nós", acrescentou.

Segundo António Costa, os incêndios foram um acontecimento traumático para as populações atingidas, mas também para o conjunto do país, que "descobriu vulnerabilidades que porventura desconhecia, de um interior desvitalizado, de uma floresta desordenada e de sistemas públicos que precisam claramente de aperfeiçoamento".

"Foi um choque coletivo para todos nós. Mas foi um choque coletivo que, simultaneamente, não diminuiu a capacidade do país de reagir nas horas más e de responder", considerou.
"Compete-nos estar à altura da mensagem do povo", diz Marcelo
O Presidente da República destacou a sensatez que o povo português demonstrou este ano, manifestando com clareza a sua vontade. Marcelo Rebelo de Sousa diz que o povo enviou mensagens claras sobre o que quer: estabilidade política, estabilidade financeira e estabilidade social.

O Presidente da República diz, por isso, que se deve evitar imponderabilidades que ponham em risco a estabilidade social, não correndo o risco em "aventuras" que podem afetar o clima que o povo português entende ser bom para o país.

Nesse sentido, argumentou que "há empresas que, pela sua importância, pelo seu poder, pelo relevo, pelo emprego que envolvem, pelo prestígio internacional, pela imagem que transmitem para o exterior, são empresas em que é importante que haja paz social, que se faça tudo pela paz social, que não se corra o risco de aventuras", numa aparente referência à Autoeuropa.

Marcelo Rebelo de Sousa considerou ainda que a solidariedade institucional entre Presidente da República e Governo correu bem em 2017, algo que não é o mais importantes no ano que passa, já que já nos anos anteriores ela tinha acontecido.
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