Covid-19. Polícia chinesa agride trabalhadores de fábrica de iPhones em protesto

por Carla Quirino - RTP
Reuters

A polícia chinesa carregou na quarta-feira sobre dezenas de trabalhadores da fábrica da Foxconn em Zhengzhou. Os funcionários da produtora de iPhones protestavam contra as condições de trabalho, num momento em que a China enfrenta um novo surto de SARS-CoV-2.

O protesto dos trabalhadores começou na terça-feira, mas no dia seguinte enfrentaram uma pesada carga policial. Os vídeos registados no local mostram milhares de pessoas com máscaras a serem confrontados com uma força de intervenção artilhada com escudos antimotim.

A polícia atingiu um manifestante com cassetetes depois de este ter agarrado num poste de metal que, por sua vez, já teria sido usado para o agredir.


Outros vídeos mostraram manifestantes a pulverizar extintores de incêndio em direção à polícia.

Li Sanshan, funcionário da Foxconn, relata ao jornal britânico The Guardian que a empresa está a debater-se com atrasos na produção do novo iPhone 14 porque milhares de trabalhadores abandonaram as instalações, no mês passado, após reclamações sobre condições de trabalho inseguras.

Li acrescenta que a empresa mudou as condições de pagamento, colocando muitos trabalhadores em situações vulneráveis.

“A Foxconn lançou ofertas de recrutamento muito tentadoras, e trabalhadores de todas as partes do país vieram, apenas para descobrir que estavam a ser enganados”, declarou Li.

Diz ter largado o trabalho num restaurante quando viu um anúncio a prometer 3.500 dólares por dois meses de trabalho. Depois a empresa mudou as regras e disse que "tínhamos que trabalhar mais dois meses" auferindo salários mais baixos para receber a quantia prometida, descreveu Li.

Esta quinta–feira, a Foxconn veio dizer que houve um "erro técnico" e pediu desculpas pela confusão do pagamento.

Um homem que se identificou como o secretário do Partido Comunista responsável pelos serviços comunitários foi mostrado num vídeo, publicado na rede social Sina Weibo, pedindo aos manifestantes que se retirassem e assegurou-lhes que as exigências seriam atendidas.


A aplicação da política governamental de covid zero tinha obrigado vários distritos de Zhengzhou a entrarem em confinamento. Desta forma os residentes do centro da cidade não estão autorizados a sair, a menos que tenham um teste negativo à covid-19 e permissão das autoridades.
O Governo está a tentar conter a última onda de surtos sem fechar as fábricas para aguentar a economia a funcionar.

Entre as várias medidas da covid zero está a "gestão em circuito fechado" que implica os trabalhadores viverem nas fábricas sem contato externo.

A China registou o maior número de novos casos de covid-19 na quinta-feira, com 31.444 novas infecções.
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