Crédito malparado na banca angolana cresceu 83,5 por cento em 2012

Luanda, 23 out (Lusa) - O crédito malparado em Angola disparou de 2011 para 2012, aumentando 83,5 por cento naquele período, segundo um estudo da KPMG hoje divulgado em Luanda.

Lusa /

O estudo "Análise do Setor Bancário Angolano", elaborado pelo quarto ano consecutivo, destaca que 2012 "foi marcado por um aumento significativo (do crédito malparado) de cerca de 83,5 por cento face a 2011 - ampliando assim para 6,76 por cento o peso do crédito vencido no total de crédito concedido (4,60 por cento em 2011)".

Apresentado por Vítor Ribeirinho, responsável do Departamento de Auditoria de Serviços Financeiros da KPMG, o estudo demonstra que mais de dois terços dos ativos totais da banca angolana (78 por cento) são detidos por cinco bancos, entre um total de 19 instituições financeiras que colaboraram na elaboração do documento.

Apenas cinco bancos não enviaram informações e entre as várias conclusões que adianta, o documento destaca o "baixo nível de bancarização" em Angola, numa taxa que varia entre os 23 e os 25 por cento.

Entre os desafios que a banca angolana vai enfrentar nos próximos anos, o estudo aponta a "deterioração expectável da rentabilidade", e que os dados já conhecidos relativos ao primeiro semestre de 2013 permitem prever.

"(O ano de) 2013 seguramente vai ser um mau ano. Não será um ano de viragem. 2014 pode ser um pouco melhor, mas aqui entram outros fatores, de natureza política de que não desejo falar", acrescentou.

Aquele técnico adiantou que a "melhoria esperada" da execução orçamental nos próximos meses deverá aumentar a capacidade das empresas.

"Algumas delas tiveram dificuldades nos últimos meses também de liquidez e, obviamente tendo problemas de liquidez, há problemas de pagamentos e tendo problemas de pagamentos há aumento de provisões. Eu diria que a partir de 2014 acho que pode haver alguns sinais de esperança, positivos", afirmou.

Todavia, segundo Vítor Ribeirinho não deve ser somente o setor bancário angolano "a fazer um percurso".

"As empresas também têm elas próprias, cada vez mais, de estar preparadas, porque se querem credito vão ter que se preparar para demonstrar que podem merecer esse crédito", defendeu.

Por outro lado, Vítor Ribeirinho considerou que o setor bancário angolano evoluiu nos últimos anos, passando a estar mais em linha com as boas práticas internacionais.

"A própria banca angolana está mais exigente. No passado recente, o financiamento de determinados projetos era muito baseado na confiança, de acionistas que estavam por detrás dos projetos. Neste momento as instituições financeiras, por reflexo de em 2012, e em 2013 continua a acontecer com o aumento das imparidades e do crédito vencido, os bancos começam a aprender um bocadinho a lição", disse.

Finalmente, o estudo conclui que apenas menos de metade dos bancos que colaboraram na elaboração do estudo têm soluções de recuperação de sistemas de informação.

"A Continuidade dos Negócios ainda não faz parte da cultura dos bancos angolanos, sendo que, nas atuais circunstâncias, é muito provável que nem todas estejam preparadas para responder de forma eficaz a um incidente grave, que interrompa as suas operações críticas e as impeça de prestar serviços aos seus clientes", desataca o estudo.

Do lado positivo, o estudo destaca a continuidade do crescimento do setor, quer em número de balcões (mais 10,5 por cento), quer de colaboradores (13,83 por cento).

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