Economia
Crise alimentar impõe restrições na venda e negociação do arroz
O Mundo está prestes a enfrentar a mais preocupante crise no sector alimentar dos últimos anos e nos Estados Unidos já há racionamento de vendas de arroz. Dois dias depois de a ONU ter lançado o mais grave alerta desde a criação do Programa Alimentar Mundial, o preço do arroz atingiu a barreira dos mil dólares por tonelada na Tailândia, o maior exportador mundial.
Segundo os dados avançados pela agência alimentar das Nações Unidas, o índice de preços dos alimentos registava em Março passado uma subida de 57 por cento, tendo em conta os valores de Março de 2007. A subida mais acentuada foi precisamente a do arroz, cujo preço aumentou 75 por cento nos mercados mundiais em apenas dois meses. O preço do trigo subiu 120 por cento em um ano.
No início da semana, o Programa Alimentar das Nações Unidas lançou um severo alerta para a escalada nos preços dos produtos alimentares, estimando que a manter-se a actual conjuntura vai tornar-se ainda mais difícil a vida de pelo menos 100 milhões de pessoas em África. As Nações Unidas falam já de um "tsunami silencioso", fazendo a comparação com o tsunami que há quatro anos fez 220 mil mortos nas costas do Índico.
"Trata-se do novo rosto da fome. Milhões de pessoas que há seis meses não estavam numa situação de necessidade urgente fazem hoje parte desse grupo", sublinhou Josette Sheeram, directora do PAM, ao lançar um apelo dramático à comunidade internacional, durante um encontro organizado em Londres pelo primeiro-ministro britânico Gordon Brown.
O fantasma da escassez paira sobre os mercados
Com o mais do que certo período de escassez ali ao virar da esquina, uma cadeia dos armazéns norte-americanos Wal-Mart tomou a decisão pioneira de racionar a venda de arroz, limitando a compra para quatro pacotes por pessoa.
No entanto, e apesar da actual onda de preocupação, os responsáveis do sector nos Estados Unidos garantem que os seus "stocks" estão bem providos e que não haverá falência na distruição. Num discurso igualmente cauteloso, os analistas atribuem as culpas ao pânico que está a espalhar-se entre os consumidores.
Mas também do outro lado do Mundo a China, o Vietname e a Índia avançaram com restrições à exportação do cereal que constitui a base alimentar de uma larga percentagem da população mundial.
Teme-se agora que a Tailândia, que garante um terço das exportações mundiais, siga o mesmo caminho de forma a assegurar o consumo interno. Este cenário está a sucitar fortes preocupações e o Banco Mundial alerta que seria como se, no sector do petróleo, a Arábia Saudita resolvesse reduzir o seu volume de exportações.
Para o Presidente de Moçambique, a chave para resolver a actual crise está no incremento da produção agrícola. "Estamos em período de crise. Quando o combustível, o arroz, o trigo aumentam, é crise sim. Vamos estimular a produção para que ela venha mais barata para o nosso povo", afirmou Armando Guebuza num encontro com vendedores informais, em Maputo.
No Brasil, medidas mais draconianas partiram do Palácio do Planalto, com o Governo a suspender a venda para países estrangeiros das suas reservas públicas. A medida foi lançada por Brasília na passada semana e o Executivo de Lula da Silva tenta agora convencer os empresários do país a accionarem as mesmas restrições.
O Brasil exporta cerca de 800 mil toneladas de arroz por ano e o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, já ameaçou que a actual situação do sector dos alimentos pode levar o Governo a aumentar as tarifas de embarque, caso o conselho não seja acatado pelo sector privado.
União Europeia leva crise alimentar a sério
Depois da cimeira sobre os preços alimentares promovida na terça-feira pelo primeiro-ministro britânico Gordon Brown, a chanceler alemã Angela Merkel veio hoje apelar em Berlim a uma iniciativa do grupo dos países mais industrializados (G-8) para travar a subida dos preços dos alimentos.
Angela Merkel, que falava após uma conferência com o Presidente egípcio Hosni Mubarak, alertou para a rápida subida dos preços dos alimentos, que considera "um grave problema para os países que encetaram um curso de reformas e de mudanças", adiantando desde logo a disponibilidade dos países europeus que fazem parte do G-8 (Alemanha, França, Itália e Reino Unido) para unirem esforços contra a actual crise no sector dos alimentos.
Encontrando razões para o problema na mudança de hábitos alimentares e de consumo em países emergentes como a China e a Índia, Merkel afastou a possibilidade de soluções a curto prazo e advogou antes a necessidade de "planear a longo prazo, e de forma razoável, a utilização das superfícies agrícolas".
Biocombustíveis e entrada de novos especuladores abana mercado dos cereais
Os números avançados pelas Nações Unidas apontam para uma subida dos preços dos alimentos superior a 50 por cento no último ano, com o arroz a registar um encarecimento de 75 por cento em dois meses. As razões para a sobrevalorização deste cereal que é responsável pela alimentação de três mil milhões de pessoas, além da forte procura nos mercados emergentes sublinhada por Angela Merkel, vamos encontrá-las na teia da economia internacional.
Por um lado, estão a funcionar os elevados preços do petróleo, que há muito ultrapassaram a barreira dos 100 dólares por barril e levam agora os analistas a temer a meta de 200 dólares. Por outro, começa a chegar a factura do desvio das culturas agrícolas para a produção dos biocombustíveis.
Um factor que não é de desprezar tem a ver com o recente problema do subprime no mercado imobiliário norte-americano, que levou os especuladores a "mudar de ramo".
Com os investidores a fugirem do sector imobiliário, uma grande fatia do capital está agora a ser jogada no mercado das matérias-primas, o que origina a inevitável escalada nos preços dos cereais em particular e dos bens agropecuários em geral.
No início da semana, o Programa Alimentar das Nações Unidas lançou um severo alerta para a escalada nos preços dos produtos alimentares, estimando que a manter-se a actual conjuntura vai tornar-se ainda mais difícil a vida de pelo menos 100 milhões de pessoas em África. As Nações Unidas falam já de um "tsunami silencioso", fazendo a comparação com o tsunami que há quatro anos fez 220 mil mortos nas costas do Índico.
"Trata-se do novo rosto da fome. Milhões de pessoas que há seis meses não estavam numa situação de necessidade urgente fazem hoje parte desse grupo", sublinhou Josette Sheeram, directora do PAM, ao lançar um apelo dramático à comunidade internacional, durante um encontro organizado em Londres pelo primeiro-ministro britânico Gordon Brown.
O fantasma da escassez paira sobre os mercados
Com o mais do que certo período de escassez ali ao virar da esquina, uma cadeia dos armazéns norte-americanos Wal-Mart tomou a decisão pioneira de racionar a venda de arroz, limitando a compra para quatro pacotes por pessoa.
No entanto, e apesar da actual onda de preocupação, os responsáveis do sector nos Estados Unidos garantem que os seus "stocks" estão bem providos e que não haverá falência na distruição. Num discurso igualmente cauteloso, os analistas atribuem as culpas ao pânico que está a espalhar-se entre os consumidores.
Mas também do outro lado do Mundo a China, o Vietname e a Índia avançaram com restrições à exportação do cereal que constitui a base alimentar de uma larga percentagem da população mundial.
Teme-se agora que a Tailândia, que garante um terço das exportações mundiais, siga o mesmo caminho de forma a assegurar o consumo interno. Este cenário está a sucitar fortes preocupações e o Banco Mundial alerta que seria como se, no sector do petróleo, a Arábia Saudita resolvesse reduzir o seu volume de exportações.
Para o Presidente de Moçambique, a chave para resolver a actual crise está no incremento da produção agrícola. "Estamos em período de crise. Quando o combustível, o arroz, o trigo aumentam, é crise sim. Vamos estimular a produção para que ela venha mais barata para o nosso povo", afirmou Armando Guebuza num encontro com vendedores informais, em Maputo.
No Brasil, medidas mais draconianas partiram do Palácio do Planalto, com o Governo a suspender a venda para países estrangeiros das suas reservas públicas. A medida foi lançada por Brasília na passada semana e o Executivo de Lula da Silva tenta agora convencer os empresários do país a accionarem as mesmas restrições.
O Brasil exporta cerca de 800 mil toneladas de arroz por ano e o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, já ameaçou que a actual situação do sector dos alimentos pode levar o Governo a aumentar as tarifas de embarque, caso o conselho não seja acatado pelo sector privado.
União Europeia leva crise alimentar a sério
Depois da cimeira sobre os preços alimentares promovida na terça-feira pelo primeiro-ministro britânico Gordon Brown, a chanceler alemã Angela Merkel veio hoje apelar em Berlim a uma iniciativa do grupo dos países mais industrializados (G-8) para travar a subida dos preços dos alimentos.
Angela Merkel, que falava após uma conferência com o Presidente egípcio Hosni Mubarak, alertou para a rápida subida dos preços dos alimentos, que considera "um grave problema para os países que encetaram um curso de reformas e de mudanças", adiantando desde logo a disponibilidade dos países europeus que fazem parte do G-8 (Alemanha, França, Itália e Reino Unido) para unirem esforços contra a actual crise no sector dos alimentos.
Encontrando razões para o problema na mudança de hábitos alimentares e de consumo em países emergentes como a China e a Índia, Merkel afastou a possibilidade de soluções a curto prazo e advogou antes a necessidade de "planear a longo prazo, e de forma razoável, a utilização das superfícies agrícolas".
Biocombustíveis e entrada de novos especuladores abana mercado dos cereais
Os números avançados pelas Nações Unidas apontam para uma subida dos preços dos alimentos superior a 50 por cento no último ano, com o arroz a registar um encarecimento de 75 por cento em dois meses. As razões para a sobrevalorização deste cereal que é responsável pela alimentação de três mil milhões de pessoas, além da forte procura nos mercados emergentes sublinhada por Angela Merkel, vamos encontrá-las na teia da economia internacional.
Por um lado, estão a funcionar os elevados preços do petróleo, que há muito ultrapassaram a barreira dos 100 dólares por barril e levam agora os analistas a temer a meta de 200 dólares. Por outro, começa a chegar a factura do desvio das culturas agrícolas para a produção dos biocombustíveis.
Um factor que não é de desprezar tem a ver com o recente problema do subprime no mercado imobiliário norte-americano, que levou os especuladores a "mudar de ramo".
Com os investidores a fugirem do sector imobiliário, uma grande fatia do capital está agora a ser jogada no mercado das matérias-primas, o que origina a inevitável escalada nos preços dos cereais em particular e dos bens agropecuários em geral.