Crise será mais longa e mais intensa, perspectivas muito negativas
Madrid, 16 Abr (Lusa) - A crise económica mundial será "mais longa e intensa" que outras correcções das últimas décadas e as perspectivas a curto e médio prazo "muito negativas", segundo o Observatório de Conjunta Económica do Instituto Juan de Mariana em Espanha.
Na sua análise o observatório considera que os mercados de crédito continuam congelados o que demonstra a "ineficácia" das medidas adoptadas até agora pelos bancos centrais.
"O que parecia uma simples crise financeira está a chegar à economia real com aumentos de desemprego e quebras", refere o estudo que considera que o não pagamento de hipotecas está longe de se resolver.
Isso, sustenta, aumentará a crise económica internacional, já que a contracção de crédito nos Estados Unidos afectará os restantes países.
Para o observatório a actual crise não se deve apenas aos Estados Unidos, mas a um conjunto de "más práticas bancárias" alentadas pelos bancos centrais.
Isso levará a um cenário de crise mundial em que as economias emergentes serão incapazes de continuar a ser motores do crescimento mundial porque a sua expansão depende das exportações de bens de consumo para o ocidente.
Por isso o estudo considera que qualquer medida dos agentes económicos não conseguirá travar uma crise "inevitável" mas que se tornou necessária para liquidar os maus investimentos dos últimos anos.
Mais optimista está o presidente da Associação Espanhola da Banca (AEB), Miguel Martin, que considera que a banca espanhola está "potente e sólida" e mais preparada do que outros sectores para responder à actual crise financeira.
Em declarações em Madrid Martin destacou, porém, as questões sérias associadas â crise financeira global que, no caso de Espanha e com um novo governo e uma oposição renovada, poderão ser mais facilmente ultrapassadas.
Nesse sentido defende que o governo deveria aproveitar o actual cenário como "uma oportunidade para alterar o actual modelo económico", que diz "demasiado desequilibrado", combatendo a concentração no sector da construção e a inflação.
O facto de Espanha estar numa zona de estabilidade (do euro), de ter contas saneadas, rentabilidade empresarial e de um sector financeiro "sólido e eficiente" permitirão responder melhor à crise.