Crítico de ANF acusa formação de "franchising", ANF lembra sessões "exaustivas" de programa de fidelização
Lisboa, 11 Dez (Lusa) - O ex-candidato à direcção da Associação Nacional de Farmácias João Ferro Baptista acusa aquela instituição de promover uma "rede de franchising" através do Programa Farmácias Portuguesas, que inclui nomeadamente um cartão de fidelização de utentes.
João Ferro Baptista é o subscritor de uma carta enviada às 2.664 farmácias da ANF com o objectivo de "alertar os colegas para a rigidez da proposta e para a existência de outras alternativas mais vantajosas".
"O que propomos é deixar o mercado funcionar e evitar que os farmacêuticos sejam forçados a aceitar quase coercivamente um compromisso. Esta não é a melhor alternativa", argumentou à Agência Lusa.
Fonte da ANF escusou-se a comentar as críticas, mas lembrou "as explicações dadas aos farmacêuticos por todo o país em sessões de apresentação exaustivas do programa".
"Foram apresentadas e respondidas as dúvidas exaustivamente e os farmacêuticos conhecem a ANF e sabem o que a instituição tem feito pelos profissionais e pela saúde em Portugal nos últimos 30 anos", defendeu a mesma fonte à Lusa.
Por seu lado, João Ferro Baptista garante que a ANF "vai no fundo passar a controlar os fluxos financeiros das farmácias", depois de já dominar os créditos do Serviço Nacional de Saúde às farmácias, através de uma empresa sua.
A esta crítica, fonte da ANF lembrou à Lusa que os pagamentos são feitos em oito dias.
"Agora a ANF vai saber os que as farmácias vendem e compram e ainda cobram cinco por cento", contabilizou o critico da instituição, referindo que serão as próprias farmácias no limite a suportar a factura dos descontos efectuados através do cartão de fidelização.
Este cartão funciona à semelhança de algumas companhias gasolineiras, em que os clientes vão acumulando pontos que depois são trocados por produtos constantes num catálogo.
Nas farmácias, João Ferro Baptista, referiu que esse catálogo também será definido pela ANF e deverá incluir medicamentos não sujeitos a receita médica, produtos dermofarmacêuticos e dermocosméticos.
"O cartão de fidelidade funciona através de pontos e se um cliente não somar os suficientes ou não quiser usá-los ao final de dois anos (período de vigência do contrato), as farmácias não irão ser creditadas pelo desconto efectuado", disse João Ferro Baptista.
Este responsável do Fórum Farmacêutico, um grupo de reflexão que inclui cerca de 50 pessoas, refere não estar apenas em causa o "cartão de fidelização, mas tudo o que está relacionado com serviços da farmácia, desde a apresentação das montras, até às gamas comercializadas ou horários".
"Se houvesse boa-fé nesta proposta, não estariam previstas indemnizações para os farmacêuticos descontentes que querem abandonar o programa. Está a cortar-se a liberdade de gestão automatizada e as farmácias ficam reféns da ANF", referiu o autor da carta.
O antigo concorrente nas eleições acrescentou ter conhecimento de projectos para desenvolver programas de fidelização "sem a rigidez do apresentado pela ANF".
"Queremos alertar os nossos colegas para poderem não aderir de imediato sob pressão porque poderão existir alternativas mais vantajosas. E também é eticamente reprovável a ANF promover a concorrência entre os seus associados, uma vez que uns irão aderir ao seu programa e outros não", concluiu.
PL.