Sánchez diz que guerra no Médio Oriente mostrou "fracasso da força bruta"
O presidente do Governo espanhol considerou hoje que a guerra no Médio Oriente mostrou o "fracasso da força bruta" e a necessidade de se respeitar o direito internacional, salientando que a "lei do mais forte tornou o mundo mais fraco".
Para Pedro Sánchez, o que se está a ver no Médio Oriente é que "a lei do mais forte tornou o mundo mais fraco".
"É uma situação onde não se sabe exatamente qual é o objetivo da guerra e onde também não há confiança entre as partes para se conseguir chegar a um acordo a curto prazo. E isso a que é que leva? A sofrimento, a perdas de milhares de vidas, a centenas de milhares de deslocados, por exemplo no Líbano, e ao enfraquecimento da ordem internacional", afirmou.
O chefe do executivo espanhol destacou ainda que a situação no Médio Oriente está a ter consequências económicas graves para a Europa, salientando que, desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, a União Europeia (UE) já gastou "mais 24 mil milhões de euros" do que o habitual em importações de combustíveis fósseis.
"Ou seja, 500 milhões de euros por dia", resumiu, salientando que "a medida menos cara e que salva mais vidas" para resolver esta situação é que "a guerra acabe o quanto antes".
"E por isso é que apelamos às partes para que se sentem, dialoguem e cheguem a acordo o quanto antes", afirmou.
Nestas declarações aos jornalistas, Pedro Sánchez lamentou ainda que, na reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE de segunda-feira, o bloco não tenha aprovado a suspensão do acordo de associação com Israel que tinha sido proposta por Espanha.
O presidente do executivo espanhol disse não perceber que a UE esteja "unida, como deve estar, a apoiar um povo que está a ser submetido a uma tentativa de invasão e de questionamento sobre a sua soberania territorial", referindo-se à Ucrânia, mas não faça o mesmo no Médio Oriente.
"Isso leva a um enfraquecimento das posições da UE, da nossa legitimidade, pelo menos a nível político, e da nossa credibilidade na hora de defender causas tão justas como a da Ucrânia", referiu.
Os líderes da UE estão hoje reunidos em Nicósia para o segundo dia de uma cimeira informal em Chipre, que vai começar com uma discussão sobre o financiamento do orçamento da EU para o período entre 2028 e 2034.
À hora de almoço, está previsto um dos momentos mais simbólicos desta cimeira: um encontro com os líderes do Líbano, Egito e Síria, do príncipe herdeiro da Jordânia e do secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo.
(Lusa)
Bruxelas quer um sistema europeu de energia mais seguro e mais resiliente
Num período em que a crise energética veio potenciar a valorização do produto energia, a União Europeia pretende que a energia seja mais segura e mais resiliente. Para isso, o sistema de energia precisa ser mais igual nos 27 países da União.
Bruxelas vai apresentar plano de resposta se Estado-membro for atacado
A Comissão Europeia comprometeu-se, durante a cimeira informal dos líderes da UE em Chipre, a apresentar um plano que define como é que o bloco deve responder em caso de agressão a um Estado-membro, indicou o Presidente de Chipre.
Em declarações hoje aos jornalistas à chegada ao segundo dia da cimeira informal de chefes de Estado e de Governo da União Europeia (UE), em Nicósia, Nikos Christodoulides foi questionado sobre o que é que os líderes acordaram quanto ao artigo 42.7 dos tratados, que consagra o princípio de defesa mútua em caso de agressão a um Estado-membro, e que discutiram esta quinta-feira à noite.
"O que concordámos ontem [quinta-feira] à noite é que a Comissão vai preparar um plano sobre como responderemos caso um Estado-membro ative o artigo 42.7. Há várias questões para as quais precisamos de ter uma resposta", afirmou.
O Presidente de Chipre disse que, por exemplo, se França decidir ativar o artigo 42.7, é preciso perceber "qual é que vai ser o primeiro Estado-membro a responder" e que meios é que poderão ser mobilizados.
"Todas essas questões vão estar no plano [da Comissão] para que se perceba qual é o plano operacional caso um Estado-membro decida ativar o artigo 42.7", referiu.
Questionado se ficou contente com essa discussão, Christodoulides respondeu: "Muito contente".
"Fico muito contente que todos os Estados-membros -- seja os que pertencem à NATO, seja os que não pertencem -- vejam a necessidade de ter um plano operacional", disse.
O artigo 42.7, que consagra o princípio de defesa coletiva em caso de agressão a um Estado-membro, só foi ativado uma vez na história da UE: pela França, em 2016, após os atentados terroristas em Paris.
No entanto, após os ataques atribuídos ao Irão que visaram Chipre no início de março, Nikos Christodoulides tem insistido que é necessário que os Estados-membros da UE "deem substância" a esse artigo.
O Presidente de Chipre, país que não pertence à NATO, tem designadamente apelado a que os Estados-membros estabeleçam procedimentos operacionais claros caso esse artigo seja ativado.
Israel ataca Líbano horas depois do anúncio de Trump do prolongamento da trégua
O exército de Israel lançou hoje um ataque contra o Líbano, após ter detetado vários disparos de lança-foguetes, poucas horas após Donald Trump ter anunciado o prolongamento do cessar-fogo por três semanas.
As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) disseram que os disparos de lança-foguetes vindos do Líbano atingiram a aldeia fronteiriça de Shtula, no norte do país.
A mensagem, publicada na plataforma Telegram, não clarifica se o alegado ataque ocorreu antes ou depois do anúncio do Presidente dos Estados Unidos.
Na quinta-feira, Donald Trump adiantou que Israel e o Líbano concordaram em prolongar o cessar-fogo por três semanas, após negociações que decorreram na Casa Branca.
O exército israelita acrescentou que foi neutralizado um "outro lança-mísseis carregado e pronto a disparar" que "representava uma ameaça para os soldados das IDF e para o Estado de Israel".
O embaixador de Israel junto da Organização das Nações Unidas (ONU), Danny Danon, admitiu, em entrevista à emissora norte-americana CNN, que o cessar-fogo alargado com o Líbano "não é a 100%".
"O Governo libanês não tem controlo sobre o Hezbollah, e o Hezbollah está a lançar foguetes para tentar sabotar o cessar-fogo. Israel, temos de retaliar. Sempre que vemos uma ameaça, agimos", disse Danon na quinta-feira.
Horas antes, o grupo pró-Irão Hezbollah revelou que disparou foguetes contra o norte de Israel e o exército israelita reivindicou um ataque contra infraestruturas da milícia xiita no sul do Líbano, que matou três militantes.
Ainda assim, Danon declarou que "a situação está significativamente melhor. Não é perfeita, mas espero que o exército libanês seja capaz de implementar e fazer cumprir este cessar-fogo", acrescentou.
Após o prolongamento do cessar-fogo inicial de 10 dias, que entrou em vigor em 17 de abril e deveria expirar na segunda-feira, Donald Trump realçou que há uma "grande hipótese" de se chegar a um acordo de paz permanente até ao fim do ano.
A guerra mais recente, que já resultou em 2.294 mortos e 7.544 feridos em sete semanas, começou quando o Hezbollah lançou foguetes contra o norte de Israel, dois dias depois de Israel e os EUA terem lançado ataques contra o Irão.
Israel respondeu com bombardeamentos generalizados no Líbano e uma invasão terrestre em que capturou dezenas de cidades e aldeias ao longo da fronteira.
O exército israelita ocupa atualmente uma zona tampão que se estende até 10 quilómetros no sul do Líbano.
Israel afirma que o objetivo é eliminar a ameaça de foguetes de curto alcance e mísseis antitanque disparados contra o norte de Israel.
O Hezbollah rejeitou as negociações. Wafiq Safa, um membro de alto nível do conselho político do grupo militante pró-Irão, disse à agência de notícias Associated Press que não acatará qualquer acordo feito durante as negociações diretas.
Irão. Papa classifica colapso das conversações como uma derrota para a paz
O Papa Francisco lamentou hoje o elevado número de vítimas civis no conflito e manifestou um profundo desalento perante o impasse diplomático.
Israel aguarda "luz verde" dos Estados Unidos para atacar o Irão
O Ministro da Defesa de Israel faz uma ameaça sem precedentes. Diz que Telavive aguarda apenas a 'luz verde' dos Estados Unidos para lançar uma ofensiva total e fazer o Irão 'regressar à Idade da Pedra'.
Empresas pagam até 3,24 milhões de euros para atravessar Panamá face a bloqueio de Ormuz
A Autoridade do Canal do Panamá disse que empresas têm pago até quatro milhões de dólares (3,24 milhões de euros) para enviar navios através do canal, face ao encerramento efetivo do estreito de Ormuz.
Embora a passagem pela Canal do Panamá tenha geralmente um preço fixo, mediante reserva, as empresas sem reserva podem pagar uma taxa adicional num leilão por lugares, em vez de esperar dias ao largo.
Os valores dos leilões e a procura por estas vagas aumentaram vertiginosamente nas últimas semanas, à medida que o Irão e os Estados Unidos bloquearam o estreito de Ormuz.
"Com todos os bombardeamentos, mísseis, drones... as empresas estão a dizer que é mais seguro e menos dispendioso atravessar o Canal do Panamá", disse Rodrigo Noriega, advogado e analista na Cidade do Panamá.
"Tudo isto está a afetar as cadeias de abastecimento globais", sublinhou.
Noriega disse que o Governo do Panamá está a "maximizar o que pode ganhar com o Canal do Panamá".
O preço médio para atravessar o canal varia entre 300 mil e 400 mil dólares (entre 257 e 340 mil euros), dependendo da embarcação.
Mas Ricaurte Vásquez, administrador do canal, disse que uma empresa, cujo nome não revelou, pagou quatro milhões de dólares quando um navio-tanque teve de mudar de destino devido às tensões geopolíticas em curso.
"Era um navio que transportava combustível para a Europa, e redirecionaram-no para Singapura, pois precisava de lá chegar, porque Singapura está a ficar sem combustível", disse Vásquez.
Outras companhias petrolíferas pagaram mais de três milhões de dólares (2,57 milhões de euros), além da taxa de travessia, para acelerar a passagem face à subida dos preços do petróleo.
Vásquez disse que os navios não se acumularam no canal, mas sim que os custos podem ser atribuídos a mudanças de última hora e à maior urgência das embarcações em resultado do caos comercial generalizado.
Ao mesmo tempo que lucra mais com o novo negócio, o Governo do Panamá também sofreu um golpe com a disputa geopolítica.
Na quarta-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do país acusou o Irão de apreender ilegalmente um navio com bandeira do Panamá, da empresa italiana MSC Francesca, no estreito de Ormuz.
O Panamá, país com um dos maiores registos de navios do mundo, afirmou que o navio foi "tomado à força" pelo Irão. Não ficou imediatamente claro se a embarcação ainda permanece sob custódia iraniana.
"Isto representa um grave ataque à segurança marítima e constitui uma escalada desnecessária numa altura em que a comunidade internacional defende que o estreito de Ormuz se mantenha aberto à navegação internacional sem ameaças ou coação de qualquer tipo", declarou o Governo do Panamá.
Rodrigo Noriega disse que o valor que as empresas pagam para atravessar o Canal do Panamá pode aumentar ainda mais se o conflito continuar a prolongar-se, uma vez que os preços do petróleo estão a disparar.
O preço do barril de crude Brent chegou a ultrapassar 107 dólares (92 euros) esta semana, subindo de cerca de 66 dólares (57 euros) por barril há um ano.
"Ninguém previu realmente os potenciais efeitos que [a guerra] teria no comércio global", disse Noriega.
Embaixador de Israel na ONU admite que cessar-fogo com Líbano "não é a 100%"
O embaixador de Israel junto da Organização das Nações Unidas (ONU), Danny Danon, admitiu, em entrevista à emissora norte-americana CNN, que o cessar-fogo alargado com o Líbano "não é a 100%".
"O Governo libanês não tem controlo sobre o Hezbollah, e o Hezbollah está a lançar foguetes para tentar sabotar o cessar-fogo. Israel, temos de retaliar. Sempre que vemos uma ameaça, agimos", disse Danon na quinta-feira.
Horas antes, o grupo pró-Irão Hezbollah revelou que disparou foguetes contra o norte de Israel e o exército israelita reivindicou um ataque contra infraestruturas da milícia xiita no sul do Líbano, que matou três militantes.
Ainda assim, Danon declarou que "a situação está significativamente melhor. Não é perfeita, mas espero que o exército libanês seja capaz de implementar e fazer cumprir este cessar-fogo", acrescentou.
Também na quinta-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adiantou que Israel e o Líbano concordaram em prolongar o cessar-fogo por três semanas, após negociações que decorreram na Casa Branca.
O governante norte-americano afirmou que o encontro entre os embaixadores de Israel e do Líbano foi "muito bom" e realçou que há uma "grande hipótese" de se chegar a um acordo de paz permanente até ao fim do ano.
O cessar-fogo inicial de 10 dias, que entrou em vigor em 17 de abril, expiraria na segunda-feira.
A guerra mais recente começou quando o Hezbollah lançou foguetes contra o norte de Israel, dois dias depois de Israel e os EUA terem lançado ataques contra o Irão.
Israel respondeu com bombardeamentos generalizados no Líbano e uma invasão terrestre em que capturou dezenas de cidades e aldeias ao longo da fronteira.
O exército israelita ocupa atualmente uma zona tampão que se estende até 10 quilómetros no sul do Líbano.
Israel afirma que o objetivo é eliminar a ameaça de foguetes de curto alcance e mísseis antitanque disparados contra o norte de Israel.
O Hezbollah rejeitou as negociações. Wafiq Safa, um membro de alto nível do conselho político do grupo militante pró-Irão, disse à agência de notícias Associated Press que não acatará qualquer acordo feito durante as negociações diretas.
Apesar disso, as negociações representam um passo importante para dois países sem relações diplomáticas e que estão oficialmente em guerra desde a criação de Israel, em 1948.
O Governo libanês espera que as negociações abram caminho para um fim permanente da guerra.
Enquanto o Irão impôs o fim das guerras no Líbano e na região como condição para as negociações com os EUA, o Líbano insiste em representar-se a si próprio.
Desde que o cessar-fogo entrou em vigor, na semana passada, ocorreram múltiplas violações de ambos os lados.
Estados Unidos estão a reforçar a presença militar no Médio Oriente
Israel e Líbano decidiram prolongar o cessar-fogo por mais três semanas
Trump diz ter "todo o tempo do mundo, mas o Irão não tem, o tempo está a esgotar-se!"
Criticando a cobertura da guerra contra o Irão pelos meios de comunicação norte-americanos, sugerindo que está ansioso por pôr fim ao conflito, Trump disse que tem “todo o tempo do mundo, mas o Irão não tem, o tempo está a esgotar-se!”
“Um acordo só será feito quando for apropriado e benéfico para os Estados Unidos da América, os nossos aliados e, na verdade, para o resto do mundo”, concluiu.