DBRS baixa `rating` de Portugal para BBB-
Lisboa, 30 jan (Lusa) - A agência de notação financeira canadiana DBRS baixou hoje o `rating` da dívida de longo prazo de Portugal de BBB para BBB- e manteve as perspetivas negativas, justificando a decisão com as "perspetivas de crescimento mais fracas".
Em comunicado hoje emitido, a DBRS considera que "os ambiciosos objetivos de reduzir o défice" vão ser "difíceis" de cumprir. "Além disso, o ambiente económico instável na Europa, a incerteza sobre a dívida grega e as tensões correntes nos mercados financeiros intensificam os riscos negativos para a previsão de crescimento de Portugal e para as perspetivas de estabilização da dívida".
A DBRS, uma das agências de "rating` mais importantes, depois das norte-americanas Moody`s e Standard and Poor`s e da europeia Fitch, alerta ainda que podem ocorrer novos cortes na nota atribuída a Portugal, admitindo que o crescimento se deteriore ainda mais.
"As perspetivas de crescimento são particularmente importante para a estabilização da dívida em Portugal, dada a dimensão do programa de consolidação orçamental e o peso elevado e crescente da dívida pública", lê-se na nota.
Para a DBRS, "não é certo quando Portugal vai conseguir reentrar nos mercados de dívida de longo prazo". De acordo com o que estipula o programa de entendimento com a `troika` (Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia e Banco Central Europeu (BCE), Portugal deverá voltar aos mercados em setembro de 2013.
Apesar de tudo isto, diz a agência, a nota BBB-, a décima de uma escala de 20 níveis, está apoiada pelo "forte empenho político do governo de coligação para reduzir o défice orçamental e implementar reformas estruturais em conformidade com o programa de assistência financeira" acordado com a `troika`.
A evolução do `rating` atribuído pela DBRS depende em última instância de um rácio dívida/PIB sustentável: "Melhores perspetivas de crescimento, combinadas com um ajustamento orçamental bem sucedido, reformas estruturais e um ambiente político e económico mais estável no resto da zona euro podem resultar num regresso a tendências estáveis. Por outro lado, desvios dos objetivos orçamentais ou uma deterioração das perspetivas de crescimento de Portugal podem desencadear mais quedas dos `ratings`", remata a agência canadiana.