De educadora de infância a formadora graças ao microcrédito
Porto, 13 dez (Lusa) - Educadora de infância de formação, Rita Leal fez doutoramento na área da didática e, confrontada com uma situação de desemprego, viu no microcrédito a oportunidade de rentabilizar a sua aposta académica e criar o próprio negócio.
No "terreno" há pouco mais de um ano e sedeada no UP - Unidade Empresarial de Paranhos, no Porto, a FAL - Formação, Avaliação & Liderança é uma empresa de formação nas áreas da educação, turismo de natureza e aquariofilia que nasceu da iniciativa da microempresária e mereceu o apoio da Associação Nacional de Direito ao Crédito (ANDC).
Em entrevista à agência Lusa no âmbito do I Dia Nacional do Microempresário, que se assinala no sábado, Rita Leal recorda que o primeiro contacto com a ANDC surgiu quando, desempregada e com um curso de educadora de infância e um doutoramento em didática e formação concluídos, teve que pensar em "como rentabilizar a formação académica que tinha e criar o próprio negócio".
Da associação apenas conhecia o que tinha ouvido "numa publicidade na televisão", mas um primeiro contacto direto com a ANDC fez-lhe ver que "era possível andar para a frente" com o projeto e a associação "disponibilizou de imediato um técnico para acompanhar todo o processo".
Para Rita Leal, que recorreu a um microcrédito de 6.000 euros para arrancar com a FAL, mais do que o período de carência no pagamento do empréstimo ou a taxa de juro mais reduzida, a grande vantagem do sistema foi a assessoria prestada pela ANDC na construção de todo o modelo de negócio.
"Todo o projeto foi construído com eles. Em todos os passos na construção do modelo de negócio - que, para nós que não temos formação nessa área, são complicados - deram-nos formação e foi esse acompanhamento que, depois, resultou num projeto que eles apresentaram ao banco que nós escolhemos", recordou.
Segundo a microempresária, para o aval do banco ao projeto e ao empréstimo pedido em muito terá contribuído o apoio da ANDC: "O banco, quando recebe o nosso projeto, já recebe um parecer positivo da associação, dizendo que o projeto tem validade e consegue ser sustentável. Portanto, já existe uma facilidade maior em concederem o crédito", disse.
"Mas, para mim, o que fez toda a diferença foi a parte do modelo de negócio, [de definir] o que temos e quanto temos que vender para o projeto ser sustentável. Nesses pormenores todos que, para quem não tem formação na área da economia, são muito complicados, sem dúvida que o apoio da técnica da associação fez toda a diferença", sustentou.
De acordo com Rita Leal, durante o primeiro ano do projeto o acompanhamento feito pela ANDC "é muito sistemático", com "reuniões periódicas para fazer o ponto de situação".
"Mas, depois de termos o modelo de negócio definido, vamos conseguindo caminhar sozinhos. Passado algum tempo, acaba por haver autonomia da parte do microempresário e por ser ele a definir até que ponto precisa do apoio da associação, que está lá sempre como recurso", explica.
No caso da FAL, "a associação continua a acompanhar [a empresa] até hoje", estando em aberto a possibilidade de recurso a um novo microcrédito para alargamento da atividade para a área da formação à distância.