De la Espriella recorre ao FMI para responder à crise financeira da Colômbia
O recém-empossado Presidente da Colômbia, Abelardo de la Espriella, anunciou que ordenou ao ministério das Finanças que encetasse conversações com o Fundo Monetário Internacional (FMI), devido à crise nas finanças públicas do país.
Num discurso transmitido pela televisão pública colombiana, no domingo, o Presidente explicou que deu "instruções claras" para que sejam estabelecidas "conversações com o FMI, com o objetivo de se encontrar uma saída negociada para a crise", que o seu Governo herdou.
"Vamos superar isto", afirmou De la Espriella, sem dar mais pormenores sobre as posições com que os representantes colombianos se irão apresentar perante a organização multilateral, que habitualmente concede ajuda financeira aos Estados-membros em troca de medidas de ajustamento e austeridade.
O novo chefe de Estado acrescentou que o Estado colombiano enfrenta a situação "mais crítica" da história do país devido ao "desperdício" do governo anterior, liderado pelo presidente de esquerda, Gustavo Petro, e à corrupção.
"Roubaram tudo", afirmou De la Espriella, ameaçando que "todo esse dano não ficará impune no Governo do Tigre", como denomina o seu Executivo.
O Presidente afirmou que a "gravidade" da situação das finanças públicas "não é suficientemente compreendida" pela opinião pública, devido à "aparente normalidade económica" que se vive no país.
Esta suposta normalidade deve-se ao facto de "nas ruas" existir uma "economia paralela" que se sustenta com "dinheiro ilícito" proveniente da corrupção e do tráfico de droga, porque a Colômbia, acrescentou, é "o maior produtor de cocaína do mundo".
"O Governo mantém uma quimera que já não consegue continuar a pagar", afirmou De la Espriella, que salientou que "as receitas [do Estado] são inferiores ao pagamento da sua dívida e ao seu funcionamento".
"O Estado colombiano está a gastar mais do que tem", afirmou De la Espriella: "As finanças públicas já não aguentam mais".
A dívida pública colombiana ascende atualmente a 60% do produto interno bruto (PIB), de acordo com dados oficiais relativos ao encerramento do primeiro semestre do exercício corrente.
A previsão do défice orçamental para este ano situava-se nos 7,4%, mas o terramoto de agosto, de magnitude 7,4, e a reconstrução que se seguiu podem pôr em risco as contas públicas, reduzindo ainda mais a margem orçamental do Executivo.